quinta-feira, 7 maio, 2026
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Brasil é uma jabuticaba eleitoral

Herman Benjamin e Gilmar Mendes
Herman Benjamin e Gilmar Mendes

Alguém há de explicar por que o Brasil é o único país no mundo em que existe uma Justiça Eleitoral. Nos outros, a Justiça comum se incumbe disso. Aqui, há uma suntuosidade sem par para o que é chamado de “espetáculo da democracia”, o voto. Reparem nas poltronas vermelhas, no cenário em madeira, na bancada propositalmente às alturas, nas becas, no adorno vermelho que as enfeitam, a modo de puxadores de cortina. “Às favas a modéstia”, diria o presidente do TSE, Gilmar Mendes, conselheiro informal do Michel Temer que quer poupar a chapa Dilma-Temer da cassação.

VOTO FACULTATIVO

Em outros países não se vê tantos rapapés com o voto. Até porque ele não é obrigatório. Eis aí o motivo para a suntuosidade dos Tribunais Regionais Eleitorais. Com a eleição de dois em dois anos, eles vivem à cata de trabalho, aperfeiçoando o voto limpo e vendendo eficiência para o que é ineficiente: o processo eleitoral em que se beneficia menos o eleitor do que o candidato. Nunca se viu. É a nossa jabuticaba eleitoral.

Entre um e outro pleito, os TREs recadastram, registram fotos, implantam a votação biométrica, recadastram novamente, e de novo, tornando dever o que é um direito: o voto, ora. Ai de quem fugir da obrigação. Vai sofrer com multas, com restrições aos concursos públicos, com emissão de passaporte, etc., etc.

BOTAS E DENTADURAS

Hoje não mais, mas fomos os reis da fraude eleitoral. Urnas surgiam e sumiam, cédulas se acumulavam em sessões de poucos eleitores, fiscais não deixavam passar voto em branco. E votavam. O pé de bota garantia a eleição do candidato do coronel. E quando não era a bota, era a dentadura, a cadeira de roda. Quando a urna eletrônica fez diminuir o número de picaretagens eleitorais, blindou-se o eleitor, dando a ele o direito do voto, ainda que obrigatório e irrevogável.

PATRIOTISMO ÀS AVESSAS

Não se iluda. A Justiça Eleitoral foi feita para punir. Vá lá, o prefeito de Toviassú da Reta por não declarar a bicicleta. Mas não o candidato de pompa e circunstância, eleito à custa do caixa 2, do caixa 3, do caixa 4. Depois reclamam quando o eleitor, inflado do mais profundo patriotismo, manda tudo às favas. Com toda a modéstia, é claro.

Acrescento: alguém tem dúvidas que está nascendo um novo “ícone das redes sociais”, na pessoa do ministro Herman Benjamin? Eu não tenho. Até porque Gilmar Mendes, com sua proverbial simpatia e “finesse” está fazendo de tudo para que o novo preferido das multidões seja de vez canonizado.

E quem viver, verá.

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