
Serve para alimentar a guerra sem trégua das redes sociais, mas não vai além disso. O deputado Jair Bolsonaro (PSL), pré-candidato à presidência da República, declarou, na semana passada, seu apoio a Ratinho Jr., que deve disputar o governo do Paraná, nas eleições de outubro.
FAZ SENTIDO
Faz sentido porque Bolsonaro, até um mês atrás, era filiado ao PSC, partido que vive sob a ordens do ex-secretário de Desenvolvimento Urbano do estado, apesar de não ser ela a sua legenda – ele é filiado ao PSD.
JUNTOS VENCEREMOS
Na estratégia de Ratinho Jr., o PSC abrigaria candidatos de menor força eleitoral, mas alinhados na corrida, não só pelo governo, mas também pelo controle do legislativo, caso ele saia vitorioso.
NÃO FAZ SENTIDO
Não faz sentido porque o discurso de Bolsonaro não se alinha ao de Ratinho Jr. no que diz respeito, por exemplo, à segurança pública. O paranaense está longe de assumir o discurso radical de direita daquele que lhe oferece um naco de seu prestígio eleitoral. Na dúvida, entretanto, segue a máxima imposta pela política: “Apoio não se recusa”.
BICHO-PAPÃO
Há algo de mórbido nessa relação. Na campanha de 2012, Ratinho Jr. transformou o PT em bicho-papão e tratou de colocá-lo à sombra de Gustavo Fruet, seu adversário na campanha à prefeitura de Curitiba.
BOLSONARO, EX-LULISTA
Agora, vive um dilema que a oposição e, principalmente, as redes sociais não deixarão escapar. Bolsonaro é um ex-lulista. Em dezembro de 2002, com o petista já eleito à presidência da República, ele “confessou publicamente” ter votado em Lula no segundo turno e trabalhado para Ciro Gomes (PDT) no primeiro.
‘COMPANHEIRO’ É MODA
“Espero que o companheiro Lula, já que está na moda falar assim, consulte os quadros do PT, do PCdoB e de outros partidos para fazer suas escolhas”. E em outro trecho: “Não tenho como indicar alguém para o Ministério da Defesa. Não faço parte da equipe do Lula nem tenho poder de veto, mas tenho voz nesta Casa. Sugiro até mesmo o nome de José Genoíno, por quem não tenho grande amizade, mas reconheço sua competência. Não faria oposição à possibilidade dele ir para o Ministério da Defesa. Também não me oporia se o eleito fosse Aldo Rebelo, do PCdoB. Ambos são competentes”.
QUERIDO
Dias antes, Bolsonaro chamou Lula de “querido”, uma expressão que ganharia contorno diferente na conversa entre o ex-presidente e Dilma Rousseff, grampeados pela polícia federal, quando então ele usou frase famosa: “tchau, querida”. O modo de tratamento de Lula com os interlocutores não era, naquele momento, uma novidade. Mas foi em 2002. Bolsonaro o ecoou. Não em tom irônico, mas respeitoso e com um quê bajulatório. Ratinho Jr. que trate de pensar nisso antes de alinhar-se com o reaça notório, ainda que em troca de apoio gratuito.
PORTA-VOZ EXPLICA
O porta-voz da campanha de Rádio Junior ao governo, jornalista Hudson José, disse à coluna, nesta segunda feira, que “não há incoerência em aceitar apoio de Bolsonaro. Isso não significa que Ratinho Junior partilha do programa de Governo dele. Afinal, é uma manifestação de apoio, não nossa, mas dele para com Ratinho Junior”.
