sábado, 27 junho, 2026
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BOAS E MÁS FAKE NEWS?

96-fakenewsAs mídias do país e do mundo, em polvorosa, agora mesmo estão fazendo campanha para derrubar as notícias falsas do ‘top ten’ de acessos. Os dados são estarrecedores e são tema de reportagem da edição de junho da Revista Bonijuris, publicação jurídica especializada, que nasceu em Curitiba em 1989, e passou por uma renovação gráfica e editorial para deixar as concorrentes comendo poeira.

VELOCIDADE 70% MAIOR

A campanha parece legítima. A velocidade da mentira é estarrecedora, donde o provérbio “a mentira tem pernas curtas” deve cair, breve, em esquecimento. A fake news de conteúdo político age três vezes mais rápido que uma notícia verdadeira sobre o tema e, no geral, tem velocidade 70% maior velocidade quando se trata de acertar o alvo do outro lado, o usuário, e instá-lo a compartilhar e curtir.

VERSÃO DA VERDADE

É mesmo preocupante e a mídia, aquela que divulga sempre a melhor versão da verdade (Carl Bernstein), e não a verdade filosófica (o prato de filósofos gregos é farto) tem razão em ficar preocupada.

CAROÇO AFRODISÍACO

Mas espere aí. O que são essas notícias ao pé das home pages com o selo “patrocinado”? Quem pensou em anúncios pagos, acertou. Mas há um detalhe: as notícias patrocinadas carregam risco altíssimo de serem fakes. Ou o leitor há de acreditar que caroços de abacate quando engolidos inteiros possuem poderes afrodisíacos?

É MELHOR VER

Está aí um problema que a grande imprensa brasileira (e mundial) precisa enfrentar. Se a questão é combater a fake news na trincheira adequada, é bom não deixar a retaguarda livre para que as notícias patrocinadas ataquem os flancos e causem uma destruição sem precedentes. Anúncio é anúncio. Notícia é notícia.

Agora mesmo, se você correr na barra de rolagem até o pé da página de qualquer grande jornal, a Folha de S. Paulo, por exemplo, irá encontrar patrocinadas que destacam o seguinte: “Petrobras pode sofrer com movimento militar dos EUA”.

VENÇA O AÇÚCAR

Ou: “Idosa vence açúcar no sangue de forma inusitada e choca especialistas”. Na foto, ela faz sinal de paz e amor (ou vitória) e faz biquinho pintado em batom rouge. Assanhada, hein? Sim, são notícias patrocinadas, mas que se disfarçam de notícias verdadeiras. A primeira paga por uma corretora e a outra por um site de saúde. E é aí que está o problema. As mídias estão preocupadas com a propagação e disseminação das fake news, porém, ao que parece, quando se trata de fake news remunerada (ainda que mentirosa), fingem que não veem. Pois é melhor ver.

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