Por Carolina Macedo – Ao longo dos anos nesse mercado, já escutei muitas histórias bonitas sobre como as pessoas iniciaram nesse universo. Um hábito que era do avô e que hoje é um aroma que nos faz viajar no tempo. Também já escutei outras menos românticas, muitos começaram a degustar por conta do trabalho. A reunião com chefes, uma celebração da empresa. Assim como os que começam a degustar em uma madrugada em uma festa de casamento, essas histórias costumam vir seguidas de uma lembrança contraditória, porque o charuto quase sempre muito forte para aquele momento gera uma ressaca, mas ao mesmo tempo uma curiosidade já que os mais experientes estavam se divertindo.
O charuto frequentemente está ligado a esses momentos de prazer, de celebração e conquistas. A minha história não é tão romântica, já começou como um trabalho antes mesmo de ser prazer ou celebração. Com o tempo aprendi que o charuto pode ser um aliado em diferentes momentos do dia, das tardes de estudo em frente ao computador a um churrasco com os amigos. E, ainda que a primeira degustação nem sempre seja perfeita, a maioria das pessoas percebe que vale insistir porque há algo em torno do quem degusta que quem observa de longe consegue perceber.
Para acender um charuto é preciso silenciar o mundo lá fora, é preciso ter calma, estar presente no momento. É uma hora do seu dia dedicada a apreciar aqueles aromas e sabores, participar de uma boa conversa ou mergulhar no silêncio dos pensamentos. Em um mundo que nos acelera a todo instante o charuto se torna um refúgio e a tabacaria o templo, onde diferentes pessoas se encontram e se conectam, mas isso já é assunto para outro texto.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.
