
A decisão do governador de Beto Richa de desincompatibilizar-se do cargo para concorrer ao Senado tem o condimento do bilhete da sorte. Salvo chuvas, trovoadas, terremotos, choque de meteoros, invasão alienígena, e ele será eleito senador da República pelo Paraná. Disso, nem o mais cético se arriscaria a duvidar. Em seis meses, garante a cadeira na Câmara Alta para um mandato de oito anos e muda-se para Brasília de mala e cuia. Na pasta de projetos, aspira um ministério em um governo tucano, mas é só aspiração.
BIRUTA DE AEROPORTO
A questão está na segunda vaga. Com Roberto Requião (MDB) e Gleisi Hoffmann (PT) encerrando seus respectivos mandatos, há especulações sobre quem ocuparia os lugares vazios. Gleisi, já se afirmou, deve disputar uma vaga na Câmara Federal, assegurando o foro privilegiado e a “eternização” de seu processo no STF (ela está emaranhada com a Lava Jato). Requião, com todo o respeito, adotou o estilo biruta de aeroporto. Ora, é candidato ao governo. Ora, ao Senado. Ora, é coisa nenhuma. Talvez prefeito de Curitiba quando a hora chegar. Só se recusa a vestir o pijama, que ele não é disso.
SEM CAMISA
Eleito ao governo no início dos 2000, ele horrorizou os habitués do Parque Barigui ao desfilar em calças militares e sem camisa na pista de corrida. Foi um escândalo. Ainda mais em se tratando de Requião, nunca em plena forma, nunca com o bronzeado em dia. Só desistiu do estilo Tarzan, quando um repórter da Gazeta do Povo quis fotografá-lo. Era uma celebridade quando o termo sequer ganhara os contornos atuais.
IMPROVÁVEIS
Os demais pré-candidatos ao Senado estão na lista de improváveis. São nomes como Ney Leprevost (PSD), que reluta em assumir a missão, apesar da insistência de Ratinho Jr., Joel Malucelli (Podemos), que sempre pode desistir na hora h, e Osmar Dias (PDT), que poderia ameaçar Requião, em uma possível disputa pela segunda vaga.
Tudo, tudo no terreno das hipóteses. Certo mesmo só Beto Richa, que deve apontar como campeão de votos.
