terça-feira, 5 maio, 2026
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Repercutindo: “Benção das armas” de Greca e a Guerra da Abissínia

Foto: Ricardo Marajó/ SMC

Nada mais anticristão do que aquelas imagens dos anos 1930, com o papa reinante abençoando as armas que o ditador Mussolini mandava para combater na Abissínia, hoje Etiópia, país que depois faria parte do
império italiano da África. A guerra teve condenação da Sociedade das Nações, com exceção da África
do Sul.

O alcaide Greca, vivendo o esplendor de sua obesidade histriônica, mostram as fotos, foi o protagonista da semana de uma cena de todo reprovável: procurou mais uma vez escudar-se na religião para seu projeto de marketing político. Foi um “precioso” presente para celebrar o Dia da Liberdade Religiosa.

O alcaide chamou o diácono, que é guarda-municipal (a cuja ordenação assisti em 2015, no salão de esportes da PUCPR), para abençoar armas num momento em que o papa Francisco é o melhor símbolo do antibelicismo. E num momento em que a Nação  reclama por pão e saúde…

Papa Pio XI e o ditador fascista Benito Mussolini

Greca, um sabichão, desconhece, no entanto, a história da Abissínia e as bênçãos da Igreja de então às forças do fascismo. Mas ele não tem o direito de envolver o erário municipal, seus funcionários e a imagem da Arquidiocese de Curitiba para seu trampolim eleitoreiro. Nem deveria envolver na empreitada uma figura ainda isenta de crime, o vice Eduardo Slaviero.

Espera-se que o arcebispo Dom Peruzzo se manifeste sobre o assunto. É pouco provável que isso aconteça, dadas suas notórias ligações com o prefeito para quem, em certos momento, é  usado como alguém que referendaria políticas da Prefeitura.

Postagem no Instagram do Pe. Julio Lancelotti. Reprodução

“BENÇÃO DAS ARMAS”: FOTO REPERCUTE E PREFEITURA TIRA IMAGEM DO AR

 

(Do Plural)

 

O evento de entrega de novas armas à Guarda Municipal de Curitiba, na última terça-feira (18), repercutiu. E não foi apenas pelo recado simbólico do arsenal: além de fuzis semiautomáticos e carabinas, os revólveres calibre 380 serão substituídos por pistolas calibre 9 mm, que até 2017 eram de uso exclusivo das Forças Armadas.

 

Mas nas redes sociais, a causa de inquietação tem sido uma foto dos equipamentos sendo submetidos a uma “bênção” – retirada do ar no meio da tarde desta quinta (20) pela gestão do prefeito Rafael Greca (União Brasil).

 

A desvinculação da foto dos arquivos online da prefeitura foi constatada logo após o conteúdo ter sido compartilhado em tons de crítica pelo padre da pastoral do Povo de Rua de São Paulo, Julio Lancellotti. Ele se notabilizou e ganhou ainda mais alcance no Brasil por conduzir políticas autônomas de proteção aos moradores em situação de rua durante a pandemia da Covid-19.

 

“Pensei que isso só acontecesse na Idade Média e em regimes totalitários que manipularam as religiões”, legendou o padre, ganhador do prêmio Zilda Arns de Direitos Humanos no ano passado.

 

No evento da Guarda Municipal, ao falar sobre a nova aquisição do município, Greca incorporou ao discurso a busca do “melhor para defender as famílias de Curitiba”.

 

Na foto polêmica, além do prefeito, o vice-prefeito, Eduardo Pimentel, e o secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, Coronel Péricles de Matos, também aparecem em primeiro plano, todos ao redor do diácono condutor da parte cristã da cerimônia de entrega de armas.

 

O capelão é Marcos Daniel de Camargo, guarda municipal concursado desde 1988. Ele tem autorização da arquidiocese de Curitiba para trabalhar como diácono na capelania da Guarda desde 2015, segundo informa publicação antiga da prefeitura.

 

Na imagem, o religioso aparece com a mão direita levantada e em direção à mesa repleta de armas e seus estojos, enquanto profere palavras, ao que indica, lidas em um livreto.

 

A Arquidiocese de Curitiba não quis se manifestar. A Secretaria de Defesa Social e Trânsito não rebateu as polêmicas e disse que o evento foi organizado pela própria Guarda e que o diácono “participa das mais diversas atividades e eventos, abençoando servidores e equipamentos da instituição”. Outras imagens de arquivo mostram realmente a participação do religioso em outras bênçãos, como a da reinauguração da sede da Guarda, em em junho do ano passado.

 

A pasta não se posicionou sobre ter retirado a imagem do ritual com as armas do ar. À galeria que acompanha a reportagem no site de notícias do município foram incorporadas outras fotos, mas nenhuma da bênção em si. As novas mostram detalhes das novas pistolas e dos profissionais em treinamento.

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