sexta-feira, 24 abril, 2026
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Belluzzo, um marxista e cristão

Trecho da entrevista que o Jornal Universidade (distribuído gratuitamente em universidades e livrarias de Curitiba), publicará em sua edição de outubro:

Luiz Gonzaga Belluzzo
Luiz Gonzaga Belluzzo

Hoje o senhor continua cristão?

Continuo. Sou católico. Você não explica nada da filosofia moderna sem o cristianismo.

Por quê?

Vou te responder com uma frase do Fellini, quando lhe perguntaram sobre o filme ‘Satíricon’, por que as pessoas eram tão tristes deprimidas. Ele respondeu que era nostalgia de Cristo que ainda não havia chegado.

Cristianismo foi um terremoto no mundo antigo. A mulher e o homem comum, isso é coisa do cristianismo. O perdão e o reconhecimento da igualdade humana também.

BELLUZZO, UM MARXISTA (2)

O senhor tem admiração por quem?

[Papa] Francisco é meu ídolo.

O que está lendo hoje?

Eu estou lendo o último livro dele, do Francisco [O Nome de Deus é misericórdia]. O tema central é o perdão, a misericórdia. Recentemente ele fez uma crítica violentíssima sobre o capitalismo.

O que ele disse?

Que o capitalismo ignora as pessoas concretas e passa por cima das pessoas. O papa é muito inteligente. Nós estamos voltando, através da ciência, ao reencantamento do mundo. Ou seja, isso tem a ver com o cientificismo da verdade, dogmático, que está causando um dano. Eu vou dizer que na economia, que eu sou obrigado a estudar, isso está virando uma tragédia porque na verdade implica em uma perda de consideração de que é uma ciência social e que trata de seres humanos. Isso trouxe um afastamento da discussão econômica dos interesses concretos das pessoas.

A ciência está passando por cima disso. Isso é uma tragédia.

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