sexta-feira, 1 maio, 2026
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BC russo diz que situação é dramática e tenta evitar asfixia e quebras financeiras

Foto: Maxim Shemetov / Reuters

Bancos ficam sem dinheiro, ações no exterior de principais empresas e rublo derretem, juros disparam

 

(Folha de S. Paulo)

O preço da ação do Sberbank negociada na Bolsa de Londres caiu mais de 73%. É o maior banco russo e o maior alvo de sanções do “Ocidente”. Sua subsidiária austríaca, o Sverbank Europe, “está falindo ou deve falir” por causa de saques em massa, segundo comunicado do Banco Central Europeu. A Bolsa de Moscou foi fechada para a maior parte de seus negócios e não deve abrir nesta terça-feira (1°).

Empresas e investidores passaram a ser obrigados a vender moeda “forte” (dólares, euros etc.) ou foram impedidos de vender ativos para sair do país. A partir desta terça-feira, russos não podem mais fazer remessas ou empréstimos para o exterior, decidiu também Vladimir Putin, que chamou essas medidas defensivas amargas de “contra-sanções”. No conjunto, trata-se de controle de fluxo de capitais, como se diz no jargão: providências típicas de países em crise externa violenta, quase asfixia.

“A situação da economia russa mudou dramaticamente” por causa das “sanções impostas por estados estrangeiros“, disse a presidente do BCR, Elvira Nabiullina a jornalistas. É “totalmente anormal”. Em estudo detalhado sobre os efeitos das sanções, o Institute of International Finance acredita que as retaliações vão provocar uma queda do PIB russo neste ano, entre outras previsões sombrias.

SAQUES EM MASSA

Como a população e empresas correram para sacar dinheiro aos montes desde sexta-feira, os bancos “estão com um déficit estrutural de liquidez” (têm recursos, não estão insolventes, mas não têm caixa, grosso modo), disse ainda Nabiullina na segunda-feira de pânico. Os russos podem ter depósitos denominados em moeda estrangeira —eram cerca de 20% do total de depósitos bancários de pessoas físicas (26%, no caso das empresas), em dezembro, segundo estatísticas do BCR.

Sem confiança de que haverá dólares ou euros suficientes, a desvalorização do rublo ganha mais impulso (já vimos variante disso na Argentina): trata-se de uma corrida bancária (saques) e uma corrida contra o rublo (venda da moeda nacional).

No final de semana, EUA e aliados bloquearam o acesso do Banco Central da Rússia (BCR) às suas reservas internacionais. Ainda assim, como a venda ou o pagamento das principais exportações russas (energia, grãos) não foram objeto de sanções, a Rússia ainda pode sobreviver com o “dinheiro do mês” que entra por essa via e, talvez, até estabilizar o mercado por algum tempo.

Os mercados de ações e de dívida caíram nos Estados Unidos e nas principais praças da União Europeia, mas sem tumulto mais anormal. O S&P 500, o índice mais representativo de ações dos EUA, caiu 0,24%. A manutenção do fornecimento de energia russa para a Europa e a expectativa de que as taxas de juros subam em ritmo mais moderado (para combater a inflação) tem segurado tombos maiores. Na semana passada, depois de tombos, os mercados recuperaram as perdas. Neste início de semana, voltou ao vermelho.

Na Rússia, porém, a segunda-feira do BCR e do Ministério das Finanças foi ocupada pela tentativa de evitar colapsos e quebras bancárias.

 

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