
A velha expressão “Ó tempos, ó costumes” não poderia ser melhor usada do que como foi, dias atrás, por um curitibano da terceira idade, ao analisar à coluna o recente Dia de Finados.
Com isso, ele queria salientar, apenas, “não estar surpreso” com o que viu ocorrer no último Dia 2 de Novembro: praticamente em todo o Brasil sumiu a comoção nacional que até há uns 10 anos envolvia o país nas celebrações pelos falecidos, com peregrinações, cultos evangélicos e missas nos cemitérios.
Isso ainda sem contar o amplo comércio de velas e flores que comandava a data, adornando túmulos e os chamados “cruzeiros das almas”.
Tal comércio, em Curitiba, na opinião de um dos funcionários do Cemitério Municipal, AGJ, não desapareceu. “Mas diminuiu uns 70% em relação há 5 anos”, assegurou.
CULTURA IBÉRICA
Vou adiante em meu olhar sobre a secularização do Dia de Finados, forte herança da cultura católica alimentada em países de tradição ibérica. Lembro, por exemplo, de minha infância, anos 1950, quando o chamado “respeito pelos Finados ” incluía programação especial de músicas clássicas nas emissoras de rádio, exclusão de qualquer celebração festiva e ampla e irrestrita visita a cemitérios e aos túmulos de nossos antepassados.
Lá em casa, apesar do feriado, estávamos proibidos até de sonhar em ir ao cinema com as surpresas do seriado do “Caveira” e seus “perigos do meio”.
QUE FAZER COM CINZAS?
Pouco antes do Dia de Finados deste ano, a Congregação da Doutrina da Fé, do Vaticano, divulgou documento em que recomenda aos católicos rigor no guardar as cinzas dos entes queridos. Recomenda que as cinzas sejam guardadas em lugares consagrados (capelas, por exemplo) e que jamais sejam lançadas ao mar ou espalhadas em locais outros.
Millena Cooper, diretora do Crematório Vaticano, publicitária cuja carreira acompanho há anos, com familiares meus, mandou, a propósito, a seguinte mensagem sobre o assunto:
CREMATÓRIO ECUMÊNICO
“O Crematório Vaticano, com sede no PR e em SC, é ecumênico e oferece opções de cremação e rituais respeitando todas as religiões. Para os praticantes da igreja católica que irão seguir a resolução da Santa Sé recentemente divulgada, o Crematório disponibiliza a Sala de Memórias, local destinado a guardar as cinzas dos que já se foram.”
DIAMANTES
E prossegue: “Ao todo, mais de 600 famílias fazem uso dos locais no PR e em SC. Cada lóculo expressa um pouco da vida da pessoa que partiu. Seu hobby, sua profissão, algo marcante em sua personalidade e que ficará eternizado na memória de seus entes queridos”.
A observação final de Millena: “Para os católicos que querem guardar consigo uma joia da pessoa que se foi, há a opção de transformar em diamantes os fios de cabelos e não as cinzas”.
