
É possível explicar as sucessivas boas posições que a PUCPR, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, vem obtendo no ranking inglês THE, o Times Higher Education, que aponta o desempenho das melhores universidades do mundo. Há elementos bem visíveis para tanto.
O anuncio do recente ranking aconteceu dias atrás, quando o THE divulgou a listagem das melhores universidades latino-americanas. Nela a PUCPR aparece como a melhor universidade do Paraná, passando a UFPR, e é a terceira particular mais bem ranqueada do Brasil (atrás da PUCRJ e PUCRS).
ELITE MARISTA
Na minha opinião, a PUCPR, hoje comandada por uma elite de educadores e cientistas, tendo a frente o biólogo de importância internacional, Waldemiro Gremski, um educador nato e que cedo percebeu que universidade como a sua só terá futuro se deixasse de ser monoglota, investisse maciçamente em pesquisa e em programas de colaboração e parceria com a iniciativa privada. E essa revolução ele vem comandando. E nela está a chave dos louros que ora colhe.
Gremski não anda sozinho, é claro. Ele é o cabeça e o animador do grande projeto que conta, basicamente, com o endosso e o apoio aberto da mantenedora da PUCPR, a Associação Paranaense de Cultura (APC). Leia-se – Congregação dos Irmãos Maristas.
NOVOS LÍDERES
Nesse ponto é possível divisar a liderança de uma geração nova de irmãos maristas. Por exemplo, presidente da APC, irmão Délcio Afonso Balestrin, 43, deu-me, ano passado, num rápido encontro que tivemos na Câmara Municipal, a receita dos maristas.
Garantiu que o comando pedagógico da universidade tem mesmo de ficar com leigos, não religiosos, do nível do professor Gremski. Eles, os irmãos professores maristas, são animadores e “donos” do projeto educacional nascido durante a Revolução Francesa. Também a administração da instituição está entregue a executivos de alto perfil, muitos deles com experiência em corporações de grande porte.

IRMÃO CLEMENTE
A posição a que a PUCPR chegou não é e obra do acaso. Acredito que a grande arrancada da PUCPR começou com irmão Clemente Ivo Juliatto, um empreendedor que ampliou os campi da PUCPR pelo estado e universalizou, de fato, a instituição, inserindo-a num mundo de horizontes sem fim.
Há vantagens que colocam a PUCPR de Gremski e do irmão Delcio e dos maristas adiante das outras universidades do Paraná. Com certeza.
Dentre eles, o fato de a instituição fundada pela Igreja ser de caráter comunitário, isento de alguns tributos. Mas há outras, Brasil afora, gozando dos mesmos benefícios, e das quais não se conhecem tantos investimentos como os feitos aqui, como a criação de polos industriais de pesquisa em parceria com industriais nacionais e internacionais.
Isso sem contar que a PUCPR ganhou relevância nos últimos anos especialmente por seus cursos de pós-graduação e pesquisas em áreas como células tronco, em que o próprio Gremski se envolveu como pesquisador de projeção e autor de muitos trabalhos indexados, referenciais.
CORPORAÇÃO
Homem prudente, cauteloso, Gremski, Gremski pode até ter opinião segura sobre o espírito de corporativo que comanda as universidades federais e as muitas mazelas que as impedem de, por exemplo, deslancharem em pesquisas e cooperação com a livre empresa. Mas não fala. Apenas investe maciçamente nessa linha de envolver a PUCPR com a comunidade abrangente, tomando com o modelo a PUC do Chile, que hoje tem em suas pesquisas e seus trabalhos uma grande fonte de renda para grandes arrancadas. A chilena é a terceira da América Latina.
OUTRAS DO PR
Outras quatro instituições paranaenses aparecem no ranking: a Universidade Federal do Paraná (51-60), a Universidade Estadual de Londrina (51-60), a Universidade Estadual de Maringá (61-70) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (61-70).
