Na esquina da Rua Atílio Bório com Marechal Deodoro, onde foi morar quando tinha 1 ano, a artista plástica Ilva de Aguiar autografa, na terça-feira, 17, a partir das 18:00, o livro em que resume seus 76 anos de vida, dos quais 65 dedicou à arte. Aquela parte da cidade ainda era rural, quando começou a pintar. Os cavalos faziam parte do cenário cotidiano. Expulsos pela urbanização, permaneceram nas telas de Ilva, que se especializou em retratá-los.
Poderíamos dizer que Ilva se ergue com sucessora de Artur Nísio, o paranaense que se notabilizou por encarnar a chamada escola animalista?
Pode ser. O assunto merece aprofundamento.
GRUPO DOS ONZE
Inquieta e determinada, Ilva Aguiar contrariou a vida estritamente doméstica reservada a grande parte das mulheres de sua geração. Como professora de pintura, impôs-se e conquistou autonomia e independência.
Formou gerações de artistas e compôs o Grupo dos Onze, coletivo pioneiro de curitibanos que promoveu a arte local, a partir da década de 1980, com Alfi Vivern, Ida Hannemann, Iára Mussak, João Osório, Lélia Brown, Luiz Gagliastri, Marisa Saraiva, Osmar Chromiec, Tereza Koch e Waltraud Sékula.
REGISTRO NECESSÁRIO
Feliz ao fazer o retrospecto de sua carreira, Ilva ficou incomodada com dois fatos: Curitiba praticamente não tem mais espaços para que as pessoas conheçam a arte produzida aqui, pois as galerias foram substituídas pela Internet, e os jovens não conhecem os artistas da cidade, muito menos a contribuição de cada um deles. Por isso decidiu registrar as memórias em livro, com texto agradável e farto em ilustrações. Quer que os netos conheçam e compreendam o tempo e o ambiente em que cultivou as paixões de sua vida.





