sexta-feira, 24 julho, 2026
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Arcebispo de Curitiba defende Pe. Manzotti, critica CNBB e “Estadão”

Em carta na Coluna/blog, padre rebate as afirmações de dom Peruzzo, especialmente as críticas à CNBB: “afinal, ele é um arcebispo”

Não se sabe ainda como reagem os bispos de outras dioceses que tiveram seus padres participando daquela reunião, em maio, em que o Governo e empresários leigos e sacerdotes participaram com o presidente Bolsonaro para tratar de verbas para veículos ( TV Pai Eterno, a Rede Vida, TV Século 21, TV Nazaré… ). Essas são emissoras citadas pertencem a congregações católicas, dioceses e/ ou empresas de “orientação católica”.

O que se sabe é que o arcebispo Dom Peruzzo, de Curitiba, dono de uma língua imoderada na defesa de suas teses, polemista conhecido, mandou para cada padre da Arquidiocese uma carta (leia a seguir). Nela procura justificar a presença do midiático padre cantor Reginaldo Manzotti, de quem é admirador, no evento, cuja rede Evangelizar hoje está estatutariamente vinculada à Arquidiocese curitibana.

Em tom de quem explode em “ira santa”, o arcebispo vai muito longe, ao classificar de “infeliz” a nota do setor de comunicação da CNBB.

O arcebispo diz que a CNBB foi “detrativa”.

Ao o jornal Estado de São Paulo – que, na verdade, exagerou ao falar em “barganha” da Igreja com verbas do Governo – o arcebispo contempla com uma expressão nada diplomática: “Acaso o Estadão é o único “concessionário da lucidez?”, para assinalar, em seguida: “Pareceu maldade encomendada”.

Um padre da arquidiocese de Curitiba, que pede anonimato – “por todos os motivos, até por temer as sanções do arcebispo, que tem uma régua muito exigente para com o próximo, especialmente seu clero – escreveu um texto opinando sobre o ocorrido. E assinalando o que considera ter sido imprudência do arcebispo, ao criticar a CNBB, instituição largamente acatada por católicos ou não.

Assim, o padre observa:

– E muito menos ainda o arcebispo deveria criticar a nota da comissão de comunicação da CNBB. Afinal ele é um arcebispo. Jamais poderia divergir publicamente da colegialidade com seus pares para defender integralmente a fala, no mínimo equivocada de seu auxiliar.

De parte desta coluna/blog, que acolhe o documento explicativo do arcebispo e a carta de um sacerdote que o contesta, resta uma observação: não apenas o Estadão, mas também a Folha de São Paulo e muitos blogs e redes sociais (com enormes audiências digitais) também acolheram a informação da reunião de padres comunicadores com Bolsonaro.

Por último, diz ainda o sacerdote em sua carta (leia-a abaixo):

– Criticar o Estadão por expor um fato, que foi real, ainda que tarde, jamais contribui para esclarecer a situação. Nota oportuna, necessária, mas equivocada.”

Em tom de lamúria, extra carta, o sacerdote que não se cala, mas teme a “vara episcopal”, bradou: “Foi-se o tempo da Roma Locuta, Causa Finita”.

 

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A CARTA DE DOM PERUZZO AO CLERO SOBRE “BARGANHA”

 

Pe Padre Manzotti: uma fala inoportuna?

“Curitiba, 08 de junho de 2020

Caríssimo Padre,

Escrevo-lhe para comentar e explicar sobre o acontecido deste final de semana, envolvendo o nome do Pe. Reginaldo Manzotti e TV Evangelizar em intensa celeuma midiática. Parece importante esclarecer para que não prevaleçam interpretações distorcidas. Tomei a inciativa de lhe expor a ordem dos fatos, pois que as hermenêuticas são as mais desencontradas.

No dia 21 de maio o Pe. Reginaldo me ligou consultando-me se deveria ou não participar de uma reunião online, proposta pela assessoria da presidência da República. Tal reunião seria no final da tarde daquele mesmo dia. Disseram que o presidente queria ouvir os pleitos das emissoras católicas. E Pe. Reginaldo deveria responder em um prazo exíguo, no mesmo dia. Ponderei a ele que não gosto nem um pouco do atual presidente. Todavia, no segmento das comunicações, quase tudo depende de autorização governamental. Qualquer meio de comunicação de rádio ou TV é concessão do Estado. Hoje, se não forem mantidos canais de diálogo, multiplicam-se severamente as retaliações. Foi assim também no passado, independentemente dos governos e grupos partidários. E o governo de agora é o que agora governa. Não existe outro.

Minha recomendação foi que participasse da reunião, mas que fosse cuidadoso no que falaria. Que não houvesse nem lisonjas nem hostilidades da parte do padre. Era uma reunião aberta, registrada, acessível ainda hoje a todos. Aconteceu em 21 de maio. Sobre o acontecido não surgiu nenhuma matéria jornalística até o sábado, dia 05.06. Foi então que, após 16 dias, o jornal o Estado de São Paulo estampou a seguinte manchete: “Ala da Igreja Católica oferece apoio ao governo em troca de verbas”. E foi esse o teor da reportagem.

O encontro foi promovido pelo grupo de parlamentares católicos. Vários setores das comunicações católicas apresentaram seus pleitos. As bajulações ficaram por conta dos parlamentares, mas não dos diretores das emissoras católicas, a não ser algumas expressões folclóricas de um tal que desconheço. O Pe. Reginaldo se pronunciou por apenas cinco minutos ou menos. Poderá ouvir sua fala abaixo. Foi tão somente uma apresentação legítima do segmento das rádios e TVs.

A reportagem do Estadão foi inteligentemente malévola: divulgou o acontecimento com grande tardança e os apresentou em distorções grosseiras. Outros grandes jornais do país também acompanharam e nada publicaram. Acaso o Estadão é o único “concessionário da lucidez”?

 

PARECEU MALDADE ENCOMENDADA

Tudo se tornou ainda mais debatido depois da nota do setor de comunicações da CNBB. Também foi uma nota infeliz. Foi detrativa. Embora especialistas, tomaram como veraz uma reportagem viciada. E puseram-se a falar que a Igreja não aceita barganhas. É uma pena que chamaram de barganha o que e quem nada barganhou. Basta verificar e acompanhar toda a reunião. Quem barganhou?

Caro Padre, decidi escrever estas linhas para que saiba do conjunto dos fatos e possa conversar com quem lhe perguntar. Não escrevi para justificar. Tem também o direito de discordar. Mas impressiona o grau de desfiguração intencionada dos fatos. Vivemos tempos em que parece natural sofisticar a maldade.

Deixo-lhe um abraço.”

Dom Peruzzo”

 

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Carta de um sacerdote da Arquidiocese de Curitiba criticando a posição do arcebispo:

 

“MÍDIA POSITIVA INCONDICIONAL”

 

“Como pastor, ótimo (a carta do arcebispo). O dever de apoiar seus coordenados.

 

Mas, se é verdade que esse tipo de reunião é comum e necessário no mundo da comunicação empresarial e suas relações com governos, ele não precisava assinar embaixo toda a fala do padre Reginaldo. Ouvi o vídeo inteiro e pelo menos uma fala dele, aquela destacada pelo Estadão, é muito séria.

Pode ter sido apenas uma forma de se expressar, mas está errada. No mínimo, insinua barganhar “mídia positiva incondicional” com princípios cristãos.

E muito menos ainda ele deveria criticar a nota da comissão de comunicação da CNBB. Afinal ele é um arcebispo. Jamais poderia divergir publicamente da colegialidade com seus pares pra defender integralmente. E muito menos ainda ele deveria criticar a nota da comissão de comunicação da CNBB.

Afinal ele (dom Peruzzo) é um arcebispo. Jamais poderia divergir publicamente da colegialidade com seus pares pra defender integralmente uma fala séria, errada, no mínimo equivocada de seu auxiliar.

Criticar o Estadão por expor um fato, que foi real, ainda que tarde, jamais contribui para esclarecer o fato.

Nota oportuna, necessária, mas equivocada”.

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