segunda-feira, 20 abril, 2026
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Angela, agora famosa, quer ser vereadora pelo Psol

Angela Machado
Angela Machado

Ainda sobre a “Batalha do Centro Cívico”, que completou um ano na última sexta-feira 29 de abril: uma das personagens surgidas em meio às fotografias icônicas registradas naquele dia, a professora Angela Machado lançou sua pré-candidatura a vereadora de Curitiba pelo PSOL. “Acredito que a mulher e a educação precisam ter uma voz ativa na Câmara Municipal”, afirmou Angela em vídeo divulgado em sua página do Facebook.

A visão do governo sobre o episódio da “Batalha” a coluna registrou no final da semana, com a opinião de Valdir Rossoni, chefe da Casa Civil.

A propósito da professora, o jornalista José Carlos Fernandes dedicou sua coluna da semana passada, um belo retrato da profissional de magistério imortalizada pela lente do fotógrafo Daniel Castellano, da Gazeta do Povo.

Confira trechos do perfil.

TERRA DOS GIGANTES

A historiadora Angela Machado, 39 anos, é uma mulher pequena. Tem 1,54 metro e pouco mais de 50 quilos. Em 29 de abril de 2015 – há exatamente um ano, durante o episódio batizado por muitos de o “Massacre do Centro Cívico” –, a estatura e a leveza acabaram por colocá-la de novo no início da fila, como nos tempos do grupo escolar.

Uma grade de proteção – perto da qual Angela estava – desabou debaixo da fúria gerada pelas balas de borracha e gás lacrimogêneo, enviados em doses dignas de Praça Tahrir, na mira da cabeça, tronco e membros dos 20 mil manifestantes. Ela fez o que todo sujeito com juízo faria – passou sebo nas canelas, mas com saldo de vantagens sobre os mortais. Não lhe faltou agilidade para passar por cima do escombro, desviar dos aparvalhados, sair da mira de um balaço, proteger a boca e os olhos com uma canga, cuidar da bolsa a tiracolo e da camisa jeans presa à cintura, sem deixar de sondar os amigos que ficaram presos às próprias pernas. Correu até se ver no epicentro do campo de batalha, onde tudo aconteceu.

Num estalo, avaliou a gravidade da cena e tirou energia até dos intestinos para dar o troco. Virou-se e desafiou os marmanjos de farda. Era apenas uma mulher desarmada. Ajoelhou-se. Sabe aquele segundo em que a Terra parece parar? Pois é. À noite, numa corrente do WhatsApp, descobriu que a cena tinha sido registrada pelo repórter fotográfico Daniel Castellano, da Gazeta do Povo, o homem que estava lá. Ao se deitar, ficou de olhos pregados. Um novo capítulo de sua biografia teria início assim que colocasse a mesa para o café da manhã.

MENINA DO INTERIOR

Em tempo, Ângela é uma menina do interior. Foi criada em Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, filha de um pedreiro e de uma costureira. Cursou Magistério, lecionou para as crianças e cursou História na Universidade Tuiuti, onde foi apresentada tardiamente a um dos livros de sua vida – Os carbonários, de Alfredo Sirkis. Casada, mãe de três filhos, leciona em dois colégios estaduais. Mora num dos muitos sobradinhos do bairro Uberaba e sua rotina só não é mais antinovela porque agora tem três perfis abertos no Facebook. Antes da foto, não passavam de 60 amigos, com os quais interagia enquanto lixava as unhas. Agora são 1,5 mil curtidores e compartilhadores – uma imensa campanha da Itália.

Arre.”

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