
Essa coluna destaca com regularidade, personagens da área jurídica que com seu, trabalho às vezes restrito ao campo acadêmico, vem engrandecendo o Direito no país. Em tempos de Lava Jato, o debate se incendeia, mas não a ponto de estabelecer confrontos apaixonados e deixar de lado a Constituição Federal de 1988, prestes a completar 30 anos. Parece pouco. Dir-se-ia que é uma infante, se comparada com a duzentista Magna Carta inglesa. Mas, acredite, houve outras que duraram menos.
O ESCOLHIDO
A nomeação de Alexandre de Moraes, ainda que de capacidade comprovada, ainda será assunto de amplo debate no país. Tão ou mais que o de outros ministros identificados com governos ou partidos. Moraes que nunca foi juiz, apesar de reputado criminalista, é o escolhido de Michel Temer. Não pelo seu currículo. Mas pelo posicionamento que vinha demonstrando no Ministério da Justiça, do qual é o titular, ainda que licenciado, e antes na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
MANDÍBULA TENSA
Quando Dias Toffoli deixou a Advocacia-Geral da União e desfiliou-se do PT, não restou dúvida de que, na condição de ministro do STF, a mais alta corte do país, ele advogaria em favor do governo petista. O descolamento ocorreu ao longo de um curto de tempo, juntamente com as desconfianças que o cercavam. Se Moraes vai pelo mesmo caminho não se sabe. Ele tem fama de arrogante, de intratável e de centralizador. Como vai se portar como ministro? Não se sabe. A aparência e o jeito de falar com a mandíbula tensa deixam qualquer interlocutor em posição de defesa.
Contrapõe o ministro litúrgico de fala mansa e aquele que discursa com alguma rouquidão, mas atento aos autos do processo. Não sei. É impressão aqui sem juízo algum. Moraes assume, em 22 de março, a cadeira que foi de Teori Zavascki. Dali em diante, só o futuro dirá
