domingo, 28 junho, 2026
HomeMemorialAINDA DO CONTO DE FADAS REAL E SEUS NOVOS ATORES

AINDA DO CONTO DE FADAS REAL E SEUS NOVOS ATORES

A Rainha Elizabeth II: casamento de Meghan e Harry.
A Rainha Elizabeth II: casamento de Meghan e Harry.

Já  se disse  quase tudo sobre o fantástico espetáculo que o mundo acompanhou sábado, a partir da  Capela de São Jorge, na cidade de Windsor, que foi o casamento real de  Meghan Markle e o príncipe Henry (Harry) do Reino Unido.
Que foram momentos de  um moderno conto de fadas, ninguém duvida.

Muito correta  também análise que identifica a boda real de sábado como uma adaptação da tradição  monárquica britânica às realidades do século 21.  A começar pela justíssima presença de um universo de personagens negros que jamais  fora ator em tais dimensões num casamento da Monarquia, e muito menos ocupando relevo em atos litúrgicos.

MILAGRE DE MEGHAN

Essa realidade nova foi  milagre gerado pela feminista e mestiça Meghan Markle.

Mas como  não lembrar  a presença  e animação do coral gospel – como o  balanço  característico dos ‘negroes spirituals’ -, entoando o Stand by Me, do antológico B. King?
Também  como ficar alheio à fala inspiradora do reverendo Michael Curry, o primeiro negro a presidir o ramo mais importante da Igreja Episcopal dos Estados Unidos (da Comunhão Anglicana).
Curry conseguiu  unir perfeitamente uma pregação de fé cristã, de amor ao Cristo, com  a convocação ao amor, como o que estava unindo os noivos naquele momento, à expressão do  amor universal. Isso sem deixar – en passant –  carimbar  a prédica – com o entusiasmo e consistência comunicativa dos  modernos pastores americanos – com uma  citação de Martin Luther King.

O SINAL DA CRUZ

Meu olhar foi um tanto longe, vendo minúcias que podem ter passado em branco ao grande público.

Primeiro porque o reverendo   Curry começou sua fala fazendo o sinal da cruz, à moda católica, como também   é prática  comum na tradição anglicana, mas que não fora feito pelo arcebispo da Cantuária na celebração;  notável também a posição lateral com que o arcebispo ficou – sentado de lado, olhava não para frente nem para Curry, mas para a lateral, o que leva a uma interpretação de  que  o arcebispo não estaria necessariamente avalizando a pregação de Curry.

É a impressão que passou.

A NEGRA CAPELÃ DA RAINHA

De toda benfazeja presença do  mundo afro na ‘empedernida’ tradição britânica, o que mais me impressionou mesmo foi a benção/homilia  curta  feita por uma reverenda anglicana. Ela foi apresentada como ‘capelã pessoal da Rainha Elizabeth II’, mulher que estando sob a orientação dessa teóloga negra parece estar dando um recado surpreendente: o de que se antecipou há tempos às mudanças que Markle  começa a mostrar ao mundo inteiro.
Elizabeth, sabemos todos, é a chefe da Igreja da Inglaterra. E não é debalde que ela, à sua maneira discretíssima,  vai  com gestos como esse caminhando para um reinado fértil e mui longevo.

Coral Gospel no casamento real.
Coral Gospel no casamento real.
Leia Também

Leia Também