A cristaleira no fundo à direitaA bica d’águaPia de quarto
A notícia que começa a ser divulgada pode ter inúmeros desdobramentos, especialmente agora quando o alcaide Rafael Valdomiro Greca de Macedo, faz o possível e impossível para se reeleger: o advogado Diogo Busse quer saber tudo sobre o desaparecimento dos móveis da Casa Klemtz, patrimônio municipal. Esses móveis sumiram, como já noticiado na campanha de 2016, misteriosamente. E ninguém presta contas do mistério. São doze as peças milionárias desaparecidas.
Não se sabe se o advogado pede ao prefeito o cumprimento da promessa que fez quando candidato, de garantir acesso à sua chácara, a São Rafael, para que autoridades possam constatar que móveis que o alcaide lá tem não são os da Casa Klemtz. Seriam apenas “parecidos”.
As investigações datam desde a primeira administração de Greca.
Casa Klemtz
PEDE EXPLICAÇÕES
Um pedido de acesso à informação protocolado nesta segunda-feira (1°) cobra da prefeitura de Curitiba esclarecimentos a respeito do sumiço das peças do acervo da Casa Klemtz. O desaparecimento de obras e mobiliários do imóvel permanece sem solução desde 1995. Em 2016, a casa foi palco de uma polêmica eleitoral, quando uma sindicância foi aberta para investigar uma possível relação entre peças do acervo que sumiram e objetos que apareceram na chácara do atual prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM). O processo foi arquivado em 2019.
PLANO DE RECUPERAÇÃO?
De acordo com o autor do pedido, o advogado Diogo Busse, o objetivo é que a prefeitura esclareça detalhes sobre a investigação e apresente um plano de recuperação do patrimônio histórico. “Precisamos de informações concretas por parte da administração municipal sobre o que está sendo feito, pois é fundamental resolvermos o sumiço das obras e garantir a proteção do patrimônio histórico, cultural, material e imaterial da Curitiba”, explica.
PANDEMIA NÃO ATRAPALHA
Ainda de acordo com Busse, em tempos de pandemia a fiscalização feita pelos cidadãos não pode parar. “A Lei de Acesso à Informação é um direito de todos e os pedidos podem ser feitos online. Precisamos democratizar a informação para que todos os cidadãos possam fiscalizar e cobrar responsabilidade sobre as ações dos políticos eleitos”, explica.
FATO HISTÓRICO
No total, são 12 peças que desapareceram do acervo da casa e que seguem sendo procuradas. Entre as obras, estão um lavatório do século 19, uma cristaleira e outro lavatório de quarto com tampo de mármore e espelho bisotado. Adquirida em 1995 pela primeira gestão de Rafael Greca, a Casa Klemtz é um equipamento público da Fundação Cultural de Curitiba (FCC).
RESTAURAR IMÓVEL
Localizada no Bosque da Fazendinha, o imóvel é uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP) desde 1982. Desde 2015 funciona no local a Escola Pública de Trânsito (EPTran). Em 2018, a Promotoria de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba do Ministério Público ajuizou uma ação civil pública exigindo que o município faça a restauração do imóvel, pois o local estava abandonado e era alvo constante de vandalismo. Desde então, a casa passou por restauros para o seu uso atual, pela EPTran, mas nem todas as exigências pedidas pelo MP foram atendidas.