
Helena de Faria Castro de Carvalho, 100, deixou-nos e foi sepultada em Curitiba nesta quarta, 12.
Mãe de Maria Elisa Ferraz Paciornick e Maria Helena Ferraz, foi casada com outro mineiro-paranaense, como ela, o paradigmático, Ruy Ferraz de Carvalho, que foi presidente da OABPR e secretário de Recursos Humanos do Paraná, no segundo governo Ney Braga.
LENITA
Lenita, assim era conhecida pelos amigos e chamada pelos familiares, era tronco de uma família de grande contribuição à vida paranaense. Ela, com Ruy, o marido, foi parte dos grupos pioneiros que se transformaram Londrina numa cidade essencial. Lá chegaram nos anos 1930.
O casal não só se tornou referencial na cidade, como passou a ser ponto de apoio para diversas iniciativas de benemerência e educacionais. Ela foi incansável em obras sociais, no Norte do Paraná, e depois em Curitiba, onde presidiria a Liga das Senhoras Católicas na sua fase áurea.
COM RUY
Sempre esteve ao lado de Ruy Ferraz de Carvalho impulsionando projetos como o colégio, que implantaram na então “Capital do Café”.
Lenita tinha alma do mineiro tradicional, aquele que enxerga tudo parecendo, no entanto, não participar de nada.
A sua fala era usualmente mansa, acolhedora, a todos recebia em casa, por anos na Rua Francisco Rocha, com largo sorriso e saudações calorosas.
Mas não escondia de ninguém suas opiniões políticas, de fé religiosa e de defesa de valores com os quais não barganhava. Na juventude fora mulher de leituras.
JORNAIS
Ultimamente, continuava informada pelos jornais impresso nacionais que lhe entregava Maria Elisa. Tinha opinião firme sobre políticos, jornalistas, artistas, sobre os quais poderia glosar comentário sempre grifado pelo “uai”. Era generosa nessas observações, mesmo quando fortemente críticas. Sabia usar a palavra para aglutinar pessoas.
AS RAÍZES
A fibra de Lenita tem muito a ver com suas origens mineiras, em cujo perfil avultam os Hosken (era prima do ex-governador Hosken de Novaes, outro símbolo de Londrina) e se ufanava de raízes bem brasileiras, com sangue indígena em parte do DNA, assim como matrizes portuguesas e inglesas.
Nos últimos meses Lenita vivia mais reclusa, mas “continuava forte em opiniões”, conta-me um familiar. Um dedo de prosa, um olhar acolhedor à visita, uma palavra pacificadora diante de conflitos, ela continuou assim até o fim.
Adeus, Lenita.
