sexta-feira, 8 maio, 2026
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A “RODA” ESTÁ NOS PRIMÓRDIOS DA FAMÍLIA NAUIACK

Paulo Cesar Nauiack: opiniões seguras
Paulo Cesar Nauiack: opiniões seguras

Quando se conhece a história da família Nauiack, que em março de 2017 comemorou em Curitiba os 100 primeiros anos de sua existência, entende-se melhor o alcance ad infinitum do gesto do pontífice de criar a “Roda dos Expostos” (ano 1188). Com ela, a Igreja Católica passou a se responsabilizar pelo recolhimento de bebês recém-nascidos abandonados por mães solteiras envergonhadas, nas primeiras horas de vida de seus rebentos. Essas crianças, antes da “Roda”, eram simplesmente abandonadas à beira dos rios (como o Tibre, em Roma), largadas nas ruas, estradas, matas, isso em todo o mundo dito cristão. Largadas ao “deus-dará”!

Uma desumanidade a toda prova, hipocritamente ignorada pela sociedade. A morte dos bebês era quase certa, um “maktub”.

“A RODA DOS ENJEITADOS”

Com a criação, pelo Papa Inocêncio III, na Idade Média, a “Roda dos Expostos” tornou-se sólida instituição da Igreja Católica Romana que, em seus conventos e casas de misericórdias (santas casas, por exemplo), passaria a assumir os bebês enjeitados. Eles eram colocados anonimamente em cilindro de madeira disposto em janelas das instituições religiosas, e nelas os bebês eram recolhidos. Tudo anonimamente, puro gesto de amor.

A “Roda” chegou ao Brasil na segunda década dos 1700 e há registro de sua sobrevivência aqui – em locais distantes dos grandes centros – até o começo dos 1950.

Darci Piana: abrangência nacional
Darci Piana: abrangência nacional

ASSIM NASCE A FAMÍLIA

Paulo César Nauiack, dirigente sindical empresarial, presidente de importante categoria no Paraná – o Sirecom (Sindicato das Empresas dos Representantes Comerciais de Curitiba) –, presidente do CORE-PR, conselho regional da profissão, vice-presidente da Fecomércio-PR, vice-presidente do Confere (Conselho Federal dos Representantes Comerciais), além de representante do comércio brasileiro no Conselho Nacional de Meio Ambiente, o Conama, é filho de José, que nasceu em Curitiba em 1916.

“…DO SÃO LUIZ”

José começou a ser conhecido como “José do São Luiz”, até ganhar identidade civil definitiva, quando, por sugestão do arcebispo Dom Ático Eusébio da Rocha, ganhou nome e sobrenome completos: Estefano Nauiack.

E assim foi batizado. A identidade católica seria uma de suas marcas mais fortes ao longo de toda a vida, assumida e vivida também pelos filhos, um deles, Paulo César.

COMO TUDO COMEÇOU

Assim, nasceu a família Nauiack, nome que sugere origem eslava. No entanto, sempre houve suspeitas de origens germânicas de Estefano, assunto que Paulo César e seus irmãos não quiseram aprofundar, embora as pistas levantadas fossem indicadoras de raízes alemãs. Paulo César explica por que eles não foram adiante em busca das origens:

– Tudo que nosso pai quis que conhecêssemos, ele nos contou. Logo…

Estefano Nauiack, que se tornaria titular de uma história de empreendedorismo, legítimo filho da “Roda dos Expostos”, foi recolhido naquela do Asilo São Luiz, em Curitiba, em 1916.

“A Roda”, instituição nascida na Idade Média.
“A Roda”, instituição nascida na Idade Média.

HISTÓRIA FANTÁSTICA

A narrativa do empresário e administrador Paulo César Nauiack, numa tarde de outono curitibano, vai transcorrendo com sabor de história fantástica. E de fato é fantástica. Apresenta muitos ingredientes que facilitam entender a Curitiba e as pessoas daquele universo em que Estefano nasceu, criou-se, gerou família e frutos amplos à sociedade abrangente.

UM EMPRRENDEDOR

“A história de meu pai é mais interessante que a minha”, exclama Paulo César, que não se cansa desse olhar retrospectivo em que José, personagem central de uma trajetória de superações, acaba, em certos anos da vida adulta, sócio de Percy Isaacson, um dos maiores empreendedores industriais que o Paraná já teve. Era um ícone da indústria e comércio daqueles dias.

MISSÕES A CUMPRIR

Homem ameno, de fácil diálogo e eterno engajado em abordagens socioeconômicas, Paulo César Nauiack tem um olhar amplo sobre as lideranças empresariais do Paraná.

Acha-as preparadas e com exemplares presenças no âmbito nacional. Nesse caso cita notadamente o presidente da Fecomércio Paraná, Darci Piana que, acredita, terá, em futuro próximo, posição de comando no universo da Confederação Nacional do Comércio.

Ao se despedir, alonga observações, abordando a questão da chamada logística reversa e todas as implicações da legislação sobre o aproveitamento de resíduos sólidos. Esse é um dos temas que, tendo tudo a ver com o país, também tem análises e opiniões de Nauiack em foros nacionais.

 ALÉM DO BALCÃO

– Nossos caminhos neste século 21 têm obrigatoriamente de ir muito além do balcão do comércio, opina, expondo assim a clara visão empresarial do filho de Estefano, aquele que foi salvo pela “Roda” e deu início a uma genealogia.

Resposta à pergunta inicial: Paulo César Nauiack tem tudo a ver com o papa Inocêncio III.

(trechos do livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, a ser lançado dia 11 de agosto, na Sociedade Garibaldi).

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