Os organizadores esperavam mais das manifestações convocadas para o 26 de março em todo o país. Em Curitiba, que reuniu 200 mil manifestantes contabilizados pela PM, em 2016, o protesto desta vez teve pálida presença: 4 mil pessoas, segundo a mesma PM. Em Cascavel, apenas 10 manifestantes compareceram ao ato em frente à Catedral.
DOSE DE REALIDADE
Triste, mas óbvio. Nem mesmo as redes sociais são capazes de convocar protestos sem dar às pessoas um tico de motivação. Só a bandeira que enaltece o trabalho da Lava-Jato ou o fim do foro privilegiado é pouco.
Há uma dose de realidade que precisa ser considerada para fazer com que uma família saia de casa, pegue o ônibus e se enfie em meio à multidão sem um propósito que a identifique. Todo protesto deve ser precedido de indignação e alimentado por fatos novos. Não é o caso.
CONTO DA ESQUERDA
Do jeito que se apresentou, o 26 de março foi um prato de notícias requentadas e de fatos que já havia esfriado na “escalada” de notícias dos telejornais e nas páginas dos diários impressos. Comenta-se que os manifestantes caíram no “conto” ao reproduzir palavras de ordem da esquerda como o “Fora Temer”. Não creio.
TITANIC EM BUSCA DE SEU ICEBERG
O rumo agora, ao que parece, deve ser outro. Com as manifestações históricas derrubou-se um governo. Agora é hora de alinhar os ponteiros com as reformas necessárias para que o país deixe de ser um eterno Titanic em busca de seu iceberg. O ex-governador João Elísio Ferraz de Campos disse recentemente que Michel Temer pode passar para a história desde que saiba aplicar aquilo que aprendeu sobre estratégia política.
E isso passa por se reunir à mesa com “bandidos e mocinhos” e deles extrair um acordo. Não é o melhor dos mundos. Mas é o que temos por ora.
