domingo, 28 junho, 2026
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A MACONHA NÃO FAZ MAL? ENTÃO VEJA ESTE TESTEMUNHO

ESTILO DE VIDA

Redação da Aleteia (*)

A mãe de um jovem com transtornos mentais decorrentes do uso de drogas conta seu drama

Além da dependência química ocorrem transtornos mentais
Além da dependência química ocorrem transtornos mentais

Montserrat Boix é mãe de um rapaz com graves transtornos mentais. Eles moram em Barcelona. Ela deu este testemunho numa ocasião em que seu filho estava desaparecido havia 10 dias, depois de fugir da clínica psiquiátrica na qual estava em tratamento:

A maconha destruiu o cérebro do nosso filho e de muitos outros jovens. Eles começaram a fumar ‘baseados’ aos 12, 14 anos, idade em que acontecem grandes mudanças no organismo e na mente, e os neurônios deles foram afetados de modo muito negativo. Não somos só nós, os pais, que dizemos isso, mas também os médicos.

Essa mãe considera que as instituições da sociedade não estão agindo eficazmente diante das situações – graves – de famílias que têm de lidar com casos de transtorno mental. Ela conta, por exemplo, que a polícia nunca localizou o seu filho nas várias ocasiões em que ele fugiu.

Estes problemas não estão sendo levados a sério o suficiente. Parece que aqueles que propõem o consumo livre da maconha têm mais poder na sociedade e na mídia. Não se fala dos efeitos secundários, mas eles são gravíssimos.

LEGALIZAÇÃO?

Montserrat Boix fez suas declarações à Plataforma pela Família Catalunha-ONU, que, além de divulgar os problemas das famílias afetadas, prepara conferências familiares sobre saúde mental em parceria com o governo local de Barcelona.

MONTSERRAT PROSSEGUE:

Falam em legalização da maconha. Se a questão é vender em farmácias com receita médica para algum tratamento, de acordo. Mas se é para permitir a venda livre e sem nenhum controle, rejeitamos de maneira absoluta.

Esta mãe espanhola descreve a convivência com o filho, já com quase 30 anos, como “muito difícil”. Segundo ela, o filho é agressivo, não respeita quaisquer horários, não toma a medicação para tratar seu transtorno, consome drogas e foge de casa com frequência.

DESESPERADA, ELA PROSSEGUE:

Não podemos fazer nada além de temer que o nosso filho volte a cometer algum crime para ser preso e receber algum tratamento na cadeia. Ou que alguém o mate numa briga. Pessoas nessa situação acabam ou na cadeia ou no cemitério. Não é oferecido nada para os doentes mentais severos, agressivos e que consomem drogas.

Os políticos, a seu ver, se interessam muito pouco pela situação das famílias que enfrentam esse tipo de desafio. Para ela, os pais de pessoas nesta situação não deveriam perder a autoridade legal sobre os filhos afetados por doenças mentais quando eles atingem a maioridade.

Eles não estão em condições de exercer a liberdade. Não têm critério para administrá-la. [As autoridades] perguntam a eles se dão consentimento para ser internados, e eles dizem que não. Os pais não podem dizer nada. Mas depois chegam os problemas, que são enormes.

SOLUÇÕES

A solução que Montserrat propõe é a mesma já adotada em outros lugares do mundo, como a Fazenda da Esperança, no Brasil: a criação centros públicos de saúde mental em áreas rurais, para que os pacientes internados realizem trabalhos no campo e cuidem de animais, por exemplo, e não possam sair da clínica enquanto estiverem em tratamento.

Na Espanha, os antigos manicômios para pessoas com transtornos mentais foram extintos na década de 1970, mas não foram substituídos por outras instituições que, ao mesmo tempo, os tratem adequadamente e protejam o resto da sociedade.

TESTEMUNHOS

São muitos os testemunhos publicados nos boletins da Fazenda da Esperança daqueles que entraram no mundo das drogas através da maconha.

“Eu comecei usando maconha e alguns anos depois conheci a cocaína, a partir daí eu já não usava drogas, mas a droga me usava. Usei cocaína por mais de cinco anos, fui perdendo a vergonha e a dignidade, mostrei muitos defeitos de caráter.” (J.M.A., 42 anos)

“Eu comecei a usar drogas quando tinha 18 anos, eu menti para meus pais, saí com amigos que eles não conheciam. Fumei maconha, depois senti que queria outra coisa e provei cocaína. Foi quando conheci o pai do meu filho, começamos a sair. Ele vendia drogas, traficava e era criminoso. Com ele experimentei pasta base e o crack, que mais me viciou.” (G.Q., 31 anos)

“Comecei a fumar cigarro, consumir álcool e em seguida a maconha. Isso com uns 12 anos de idade. Aos 24 anos, consumia muito álcool e maconha, mas experimentei cocaína. Foi quando afundei. No início, era só nos fins de semana e, com o passar do tempo, passei a fazer uso diário.” (M.C., 32 anos)

RECUPERAÇÃO

A recuperação é um trabalho difícil, persistência de pessoas dedicadas em favor de dependentes, muitas vezes hostis. Na Fazenda da Esperança, a recuperação fundamenta-se no tripé: espiritualidade, convivência e trabalho.

  1. A espiritualidade é a base presente em todos os momentos e atividades.
  2. Na vida anterior à acolhida, a convivência encontrava-se numa situação de calamidade. Essa convivência é mudada para o dependente sempre ter apoio, distanciando-se da tentação das drogas.
  3. O processo pedagógico do trabalho na recuperação visa restabelecer força, criatividade, continuidade e autoestima do interno.

Mais informações e unidades da Fazenda da Esperança em: http://www.fazenda.org.br.

(*) Publicado no portal ALETEIA em 28/05/2018)

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