Por Rogério Distéfano, editor do blog O Insulto Diário
O prefeito de Curitiba reside na avenida Vicente Machado, esquina com a rua Presidente Taunay. Não é um flaneur, o sujeito que gosta de andar a pé na cidade (ia escrevendo ‘palmilhar’, para fazer um agrado em Rafael Greca). A residência do prefeito fica a uns duzentos metros da rua Saldanha Marinho. Atinge-se a Saldanha em duas quadras, uma delas a subidinha chata, quadra, ruim até para o editor do Insulto Diário, 70 quilos mais enxuto que o prefeito.
Rogério Distéfano
Por isso não é de se exigir que o prefeito ande a pé, tipo fiscal de rua, não obstante ele tenha inventado a Zeladoria Municipal. Ele poderia, e não faz, conferir de carro o que se diz aqui. Saia em linha reta de casa, suba a Taunay, quebre à direita e desça a Saldanha Marinho até a Fernando Moreira (ali, na linha do Ligeirinho, não dá cruzamento para veículos). Pois bem, neste domingo, desde a Taunay, a Saldanha Marinho está uma porqueira só.
Era só sujeira pela rua, falta de coleta; retrato do sábado de bebedeira; garrafas e embalagens pelas calçadas; sacas de lixo abertas e revolvidas por catadores e cães vadios. O pior, 5 quadras sem uma lixeira. Nada ajuda cantar desafinado o Hino de Curitiba, saltitar em com jovens trajados à Belle Époque, celebrar Curitiba em prosa melosa e versos infantis, se o básico o prefeito não faz. Seu criador, Jaime Lerner – que renegou ao voar com Lúcifer Requião – circulava pela cidade.