Lucas Navarro de Souza: quem é rei...; Giovanni Gionédis: conselheiro maior; Ratinho Junior: neutralidade; Marcelo Cattani: a despeito da arranha marrom...
Núcleo da gestão da prefeitura de Curitiba é composto por seis pessoas
Lucas Navarro de Souza: quem é rei…; Giovanni Gionédis: conselheiro maior; Ratinho Junior: neutralidade; Marcelo Cattani: a despeito da arranha marrom…
Quando Rafael Greca encrenca com algo, saia de baixo. Pode-se falar muita coisa do prefeito de Curitiba, mas ninguém dirá que ele não é decidido. E quem trabalha com ele tem de correr atrás para atender tudo que ele quer que seja feito.
Por vezes, isso tem estritamente a ver com o trabalho, com o ofício de prefeito, como ele gosta de dizer. Ele quer que se aprove tal lei, ou que se faça tal obra. E é preciso fazer acontecer. Seus favoritos tendem a ser aqueles que melhor conseguem dar cabo dessas tarefas.
Às vezes, isso cria situações curiosas. Como, por exemplo, a história de que uma das pessoas com cargo mais alto na atual gestão ser frequentemente deslocada de suas funções para ter de ir atrás do chá que o prefeito e sua Margarita preferem beber. E tem que ser ela. E tem que ser especificamente aquele chá.
Outro caso foi o de um móvel. Greca decidiu que precisava exatamente daquela peça para o gabinete. Ofereceram semelhante, não podia. Mas se fosse por licitação não daria certo. E sem, iria dar encrenca. Um funcionário de alto escalão acabou decidindo comprar do próprio bolso, só para satisfazer o gosto do chefe.
O NÚCLEO DURO
Todo governante tem seus favoritos. Para quem está de fora, parece que todo secretário é secretário. Os mais desavisados podem até achar que as pessoas com mais poder são necessariamente as que estão no primeiro escalão. Mas não é bem assim.
Depois de uma série de entrevistas e consultas a pessoas próximas a Greca, por exemplo, descobre-se que das seis pessoas mais influentes em sua gestão, apenas duas têm cargos no primeiro escalão. Duas estão em funções de assessoria. E duas nem têm cargos.
A primeira influência, claro, é de Margarita Sansone. Casada com o prefeito desde a primeira gestão, nos anos 90, Margarita tem voz ativa na prefeitura, mesmo tendo ficado sem a presidência da FAS. Dá palpites, sugere, critica e, principalmente, veta. Se ela não quer alguém por perto, dificilmente essa pessoa terá chance de se aproximar de Greca.
O outro que não tem cargo mas que é ouvido constantemente é Giovani Gionédis. Amigo de infância de Greca, o advogado indicou nada menos que três ocupantes do primeiro escalão: Urbs, procuradoria e Finanças. Seria muito, mas não acaba aí.
Nas reuniões das segundas-feiras, em que o secretariado se encontra com o prefeito, Giovani tem assento garantido. E fala como se fosse o chefe da área política, com a intimidade que só a amizade de décadas permitiria. Diz ele que está lá para salvar a pele do prefeito. Mas não é pele o termo que ele usa.
Há uma história engraçada na relação dos dois. Na campanha dos 12 dias de Jaime Lerner pela prefeitura, em 88, os dois eram jovens membros da equipe. A candidatura foi contestada e o caso chegou ao Supremo. No dia, o advogado não apareceu e Giovani, que estava em Brasília acompanhando tudo, ligou para Greca. O que ele devia fazer?
– Você não é advogado? Seja hominho, entre no Supremo e defenda o Jaime!
OS SECRETÁRIOS PODEROSOS
Os dois secretários mais poderosos, segundo se diz, são Luiz Fernando Jamur e Monica Santana. Ele é o homem central da gestão. O sujeito que consegue dinheiro para obras, que faz a máquina andar, que garante a aprovação das leis. Técnico, esteve em várias gestões e conhece a prefeitura como ninguém.
Ela entrou na vida de Greca na campanha, responsável pela comunicação.
Os santos bateram e Monica cresceu. Acabou sendo uma espécie de anjo da guarda do prefeito, que vai com ele para todo lado e garante que tudo aconteça da melhor maneira possível – inclusive protegendo o prefeito contra ele mesmo.
Greca, como se sabe, fala demais e muitas vezes morre pela boca. A lenda que corre é que Monica teria domado o prefeito, tornando-o mais civilizado e obrigando-o a pensar duas vezes antes de contar histórias sobre vômito ao sentir cheiro de pobres, ou impedindo que ele cante músicas da chapeuzinho vermelho diante das câmeras.
Recentemente, Monica também acumulou a Comunicação. E ninguém sabe como ela dá conta de tudo.
FECHANDO O CÍRCULO
Também tem influência política o ex-secretário da Comunicação, Marcelo Cattani, que depois de um período de ausência para fazer a campanha de Cida Borghetti ao governo, voltou com a tarefa de fazer a articulação política – inclusive de olho em 2020.
Cattani foi um dos principais responsáveis pelo renascimento político de Greca na eleição passada, e foi fundamental no segundo turno contra Ney Leprevost. Dizem que Margarita não gosta dele, mas que o engole porque o marido de fato deve a ele a eleição para o atual posto.
Ao contrário da maioria dos outros integrantes da corte, o último integrante do núcleo duro tem pouco tempo de convivência com o prefeito.
Lucas Navarro, um jovem de vinte e poucos anos, ganhou o posto de assessor especial e, segundo dizem, é ouvido com especial atenção pelo prefeito.
Corre a lenda que é Lucas quem tem a maior capacidade de confrontar o prefeito e sair impune. Uma anedota que serve como exemplo: ao sair no fim do dia do palácio, Greca mandou que o menino botasse um casaco. Bem a seu modo, Lucas teria desconcertado o prefeito e todos os que estavam por perto dizendo para Greca ir passear. Dificilmente outra pessoa faria isso e continuaria empregada no outro dia. Mas ele pode.
Os demais integrantes da prefeitura veem em Lucas um garoto ainda pouco maduro politicamente e sem experiência para a função que exerce. Às vezes, chegam a temer que tudo que foi combinado durante a semana seja desfeito por Lucas antes da próxima segunda.
Lucas e Monica também são os dois que mais viajam com Greca. Foram os três que compartilharam das refeições com água a R$ 28 e pratos opulentos e que acabaram sendo objeto de denúncia na Câmara.
-o-o-o-
LUCAS, A GRANDE INCÓGNITA
Lucas Navarro de Souza, 28 anos, advogado apenas formado em faculdade, detém um salário apreciável – R$ 19 mil, fruto, não se duvida, do quanto ele conta no círculo íntimo do prefeito. É forte, como diz Rogério Galindo, a ponto de poder desmontar, numa segunda-feira, decisões que o alcaide tomou numa sexta-feira com seu staff mais próximo.
Lucas, esse epifenômeno ao lado de Greca, foi aquele que o prefeito queria porque queria fazer chefe de Gabinete, substituindo João Alfredo Meyer Costa, começo do ano.
Quem acabou com o cargo foi uma qualificada professora de Direito.
ELE CHOROU
Dizem, no Gabinete, que o alcaide foi às lágrimas quando seu protegido – aquele que consegue dizer não ao prefeito e sair de sua frente sem dar-lhe satisfação – foi derrotado, no caso da chefia do Gabinete, pelas “interdições” levantadas por Giovanni e a senhora Greca de Macedo (que os inimigos do casal insistem de chamar de aranha marrom).
ROTEIROS DE VIAGEM
Lucas jamais perdeu a coroa: é viajante obrigatório ao lado do alcaide, e tem à sua disposição mordomias como uma moderna camioneta Hillux, direito a segurança pessoal – em certas situações, como quando foi consultar no Hospital Champagnat – e, com frequência, quase sempre dirige o ritual de vestição do prefeito, no apartamento de Rafael e Margarita, na Rua Vicente Machado.
Lucas não pode ser subestimado: é assessor muito mais ouvido do que mero “valet de chambre”.
Tem força, como mostrada, quando conseguiu novo emprego municipal para o pai, no ICS, depois que o genitor foi desalojado do Gabinete do prefeito por questões legais (nepotismo).
A VESTIÇÃO
A vestição do chefe inclui apoio para o prefeito calçar os sapatos, de manhã. Isso sem contar que, testemunham assessores, pode estender seu expediente à noite, apoiando Greca de Macedo em rituais de decoração da Chácara São Rafael, em Laranjeiras, em Piraquara, quando o alcaide prepara-se para receber amigos próximos ou convidados do tipo padre Manzotti ou padre Kleina ou o assessor e amigo próximo, a quem a língua ferina de Requião apelidou de “Borboleta”.
GRUPO ÍNTIMO
Bem apurada, a análise de Galindo faz sobre o “inner group” de Rafael Valdomiro esqueceu, no entanto, de nominar a reunião das segundas feiras. Entre os acólitos do alcaide, ela é chamada de “Núcleo”. É temida pelo pessoal das gerais…
Ali, por exemplo, decidiu-se, contra a vontade da aranha marrom, a defenestração, este ano, do jornalista Israel Reinstein, substituído por Mônica Santana, uma jornalista carioca há 40 anos vivendo em Curitiba. Ela distribui as verbas municipais de publicidade, enormes, e que, dias atrás, contemplaram inexpressivas publicações do Judiciário, conforme relatada o leitor Sandro C, mandando-me comprovantes.
A “FAMIGLIA”
Mônica tem valores profissionais. Está nas graças da “famiglia”, ao contrário de Marcello Cattani, um cravo na vida da senhora Greca, que nunca o aceitou. Até porque é uma voz a quem o alcaide ouve, independente de consultar a aranha marrom ou Giovanni.
Pode-se discordar dos métodos de Cattani, mas ele é útil a Rafael Valdomiro que, por sinal, vai precisar muito dele para tirar o “atraso” das pesquisas de intenção de votos em que Valdomiro se encontra.
Claro que há outros nomes que o alcaide considera e aos quais, por vezes, manifesta querer dar até um “regalito” – tipo mensalinho para complementar salário.
AGÊNCIA GENEROSA
Esse pessoal do regalito, como regra, poderia ser aquinhoado por uma “mãe” sempre à mão: a Agência Curitiba. Isso sem falar que o mundo da publicidade sempre estará apto a fazer acomodações para contemplar os sonhos do alcaide e sua troupe, de olho na sucessão de Ratinho Junior em 2022.
NEUTRALIDADE
O governador, ao contrário do que o staff do alcaide sugere, não ficará com Greca em 2020. Talvez prefira mesmo “adotar neutralidade”, garante-me fonte da ALEP, uma voz que tem comando no legislativo.