quinta-feira, 23 abril, 2026
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Marcelo Rossi, o maior vendedor livros do Brasil

Livros do Padre Marcelo Rossi
Livros do Padre Marcelo Rossi

Não é preciso divagar muito, ou percorrer caminhos ditos “científicos” para entender o porquê de livros de autoajuda serem campeões de venda no Brasil. Aliás, estão também quase sempre em primeiro lugar em muitos outros países, boa parte deles do mundo desenvolvido.

Num tempo de incertezas e perda de identidade acentuada, no anonimato das grandes cidades do mundo, a depressão também gera leitores. E ouvintes.

Mas a mim chama atenção uma aparente contradição quando examino, por exemplo, a pesquisa da Nielsen sobre os resultados do mundo editorial brasileiro de 2015/16. Pois constato que no país onde a Igreja Católica ainda continua perdendo fieis para movimentos evangélicos (é verdade, não mais na mesma proporção do que ocorreu na década dos 1990) os responsáveis pelos “best sellers” editoriais sejam padre católicos romanos.

E é fácil constatar essa realidade: em 2015, padre Marcello Rossi fechou o ano como seu livro Ruah como o segundo mais vendido; no primeiro semestre deste 2016, o livro de Rossi foi campeão absoluto, inconteste de vendas em todas as latitudes do país.

OUTRAS LISTAS

A Nielsen fornece uma ideia correta do mercado editorial, assim como suas pesquisas, sobre o desempenho de outras áreas do mercado brasileiro – o das cervejas, por exemplo -, igualmente importantes.

Um simples acompanhamento semanal das listas das obras editoriais mais vendidas nas livrarias brasileiras confirma essa realidade. Sacerdotes católicos são campeões de venda.

Isso mostram ‘rankings’ como os de Veja e de jornais paulistas e cariocas.

Não se trata de literatura teologicamente elaborada. O conteúdo dos livros desses padres (Marcelo Rossi, Fabio Mello, Alexandre Campos, o padre sertanejo, Juarez Castro, Antonio Maria, Reginaldo Manzotti…) tem linguagem simples – ou simplista -, mas eficaz no chegar ao íntimo dos leitores, suas dores, suas frustrações, suas dúvidas sobre esta e eventual outra vida.

Mas, afinal, por que os padres mostram tanto apelo com livros como Ruah (um testemunho de como Marcelo venceu a depressão), pergunta-se.

Uma motivação muito forte para que multidões acorram aos conselhos de padres cantores (também vendem muito bem seus DVDs e discos, como ocorre com padre Marcello) credite-se a uma certa memória coletiva. Afinal, o padre, como conselheiro e parte da alma nacional, vive nas raízes do Brasil, sem esquecer que os folhetins de televisão confirmam e incentivam a tonalidade mística atribuída ao padre.

Sem contar que o celibato, que mantém o padre longe do casamento (não confundir com voto de castidade, que se trata de outra coisa) tem sempre seu apelo e um certo charme que afetam muito o público feminino.

Muito mais há a ser dito na tentativa de explicar o dito fenômeno, assunto que merece, até, ensaios acadêmicos, com vistas a esclarecer com detalhes essa realidade em que o sagrado e seus emissários detêm tanto apelo numa sociedade cada vez mais secularizada. Assunto para psicólogos, antropólogos e historiadores.

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