
Na edição de domingo, O Estadão, de SP, publicou amplo levantamento sobre a apreensão de drogas ilícitas no Brasil em 2015. O Paraná aparece como o Estado que concentrou 70% de toda a anfetamina apreendida em território nacional, com impressionantes números: 629,7 mil unidades da droga em todo o Estado. O segundo lugar coube ao Estado de Goiás, com 126,3 mil unidades apreendidas.
O número total de unidades de anfetaminas apreendido pela PF em 2015 no Brasil, foi de 894,5 mil/ano.
AS PREFERIDAS
Muito embora o crescimento do consumo de drogas sintéticas, as mais apreendidas pela Polícia Federal continuaram a ser maconha e cocaína.
Pode haver explicação para tão expressivo desempenho da anfetamina, droga sintética de produção cara? Como explicar o perfil de seus consumidores que, tudo indica – segundo os números – concentram-se neste Estado ainda tido e havido como de “perfil conservador”? Para um pastor evangélico que atua no combate à drogadição, mantendo uma casa de recuperação de drogados em Curitiba, “não é fácil explicar nosso recorde”.
Mas o religioso, ligado a um dos ramos do metodismo nacional (movimento religioso nascido na Inglaterra, século 18), acha que essa posição no ranking da droga pode estar aliada “à rápida maneira com que os jovens vão aqui se desligando dos valores tradicionais de uma vida saudável”.
E mais: “Eles estão contaminados, em grande parte, pelo hedonismo, o prazer a qualquer custo”, disse.
FATOR “BREAKING BAD”

Há quem exagere nesta análise em busca de explicar o interesse paranaense por anfetamina. Tal como faz um jornalista consultado pela coluna. Ele não titubeou em cravar: “Acho que isso também pode refletir o fator Breaking Bad”. Referia-se à série policial apresentada pelo Netflix, que gira em torno da produção, consumo e banditismo que marcam os ciclos da droga.
No entanto, acredito que a pergunta mais correta a fazer é: o Paraná será o campeão do consumo de anfetamina, ou simplesmente a PF foi mais eficiente aqui? Ou teve mais sorte nas apreensões no Paraná?
O que se sabe é que a anfetamina corra solto em grandes centros como Rio e São Paulo e Brasília.
