quinta-feira, 23 abril, 2026
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Para Dotti, liberdade de imprensa é remédio para os males do Brasil

O debate e os participantes. (Fotos: Diego Antonelli)
O debate e os participantes. (Fotos: Diego Antonelli)

Público aquém do esperado, em termos numéricos, mas qualitativamente muito expressivo, definiu a mesa redonda, seguida de debate, denominada “Liberdade de Expressão, Liberdade Vital”, realizada sábado, 13, no auditório da Escola Catarina Labouré, realização do Instituto Ciência e Fé de Curitiba. Em síntese, o encontro foi manifestação unânime pró garantias à liberdade de imprensa. E à livre manifestação da cidadania.

O jurista René Dotti foi “a peça de resistência” daquela manhã, particularmente pela ampla apreciação que fez sobre as perdas ocorridas com o fim da antiga Lei de Imprensa. “A Lei de Imprensa viera do regime ditatorial, mas tinha muitas qualidades”, lembrou o jurista, para contrapô-la às alternativas hoje existentes. Muitos jornalistas, como o órgão maior da categoria, a FENAJ, advogam preferir sejam os profissionais da imprensa julgados pela lei penal. Isso, na opinião de Dotti, configura uma situação indefensável, inexplicável.

E pontificou René Dotti: a liberdade de Imprensa é remédio eficaz contra “todos os males do Brasil”.

DSCN7922OS EXPOSITORES

Coordenado pelo professor e jornalista Hélio de Freitas Puglielli, o evento teve exposições dos jornalistas Maria Sandra Gonçalves (ex-diretora de Redação da Gazeta do Povo); Mauri Konig, repórter investigativo que está entre os mais reconhecidos nacional e internacionalmente (foi premiado em 2013 pela Columbia University pelo conjunto de sua obra de jornalismo investigativo); Nilson Monteiro (ex-Folha de Londrina e ex-Gazeta Mercantil, parte significativa da história da imprensa paranaense) e Marilena de Mello Braga, a primeira mulher repórter de política em jornais paranaenses.

A seguir, a coluna recolheu sínteses feitas por Hélio Puglielli e Nilson Monteiro sobre o encontro:

OLHAR DE PUGLIELLI

“Ninguém mais apto do que o professor René Dotti para fazer o balizamento jurídico das questões relacionadas à liberdade de expressão.

Batalhador de causas jurídicas durante os “anos de chumbo”, sempre em defesa da liberdade, René também foi jornalista na juventude e sabe muito bem avaliar o que é o esforço constante para assegurar a informação vital para a existência de uma sociedade verdadeiramente democrática.

À brilhante síntese esboçada pelo jurista, somaram-se os depoimentos valiosos de quatro profissionais da imprensa. Mauri Konig, internacionalmente premiado por suas reportagens investigativas, ameaçado, sujeito à ira dos interesses contrariados, manifestou sua firme confiança na possibilidade democrática de arrostar as dificuldades e desafios, mantendo fidelidade à missão de informar.

DIÁRIOS SECRETOS

DSCN7903Sandra Gonçalves deu conta da importância da imprensa livre, ressaltando o trabalho dos profissionais que se dedicaram ao levantamento de irregularidades na Assembleia Legislativa do Paraná, que redundou na série de reportagens sobre os “Diários Secretos”. Outras considerações valiosas foram acrescentadas por Marilena Braga, sempre atilada em suas observações e pelo veterano Nilson Monteiro, perspicaz e emocionado analista das peripécias do jornalismo quando do enfrentamento com os poderosos.

O JOIO E O TRIGO

A grande ironia, unanimemente constatada, é que os próprios representantes dos jornalistas (FENAJ e outras entidades) erraram ao apoiar a revogação da Lei de Imprensa, que também continha dispositivos favoráveis ao livre exercício profissional, ainda que promulgada durante o regime militar. “Junto com o joio, também foi jogado fora o trigo”, sintetizou Sandra Gonçalves.”

RESUMO DE NILSON

“Todos os participantes fundamentaram seu relato no direito de resistência à opressão intelectual.

RENÉ DOTTI

DSCN7911A liberdade de imprensa é remédio para todos os males do país.

Fez severas críticas ao fim da Lei da Imprensa e ao autor da aprovação no STF, o ex-ministro Ayres Brito, assim como elogiou a posição assumida na época pelo ministro Marco Aurélio Mello. A principal mudança, segundo ele, afeta a liberdade de imprensa – os jornalistas respondem agora ao Código Civil (exemplo dos jornalistas da Gazeta do Povo). Dotti lembrou que o fim da Lei de Imprensa, instituída durante a ditadura militar, foi endossada pela Fenaj, Federação Nacional dos Jornalistas. Ele defendia a permanência da Lei, com o expurgo de seus artigos restritivos.

MAURI KONIG

DSCN7871Relatou as dificuldades em se trabalhar temas que envolvam o interesse público. Recordou a “construção” da pauta que originou a série “Diários Secretos”, com participação de jornalistas da Gazeta do Povo e da RPC.

SANDRA

Pautou-se por uma frase: não há liberdade real quando temas de interesse maior se sujeitam a um jornalismo de cosméticos. Para ela, infelizmente, grande parte da população não absorve o conteúdo das informações (esta tese, aliás, é compartilhada por todos).

MARILENA MELLO BRAGA

DSCN7868Abordou aspectos de mudança provocados pelos atuais meios de comunicação – redes sociais, twitter, etc. Teorizou sobre qual das seis perguntas obrigatórias do jornalismo é a mais importante quando se tenta atingir o grande público. Ela defende que seja “como”. “

COM TUDO, PREFERE HOJE

Nilson participou dos trabalhos sem ter preparado previamente sua exposição: entrou na hora, a convite do coordenador Hélio Puglielli.

Citou exemplos claros da supressão da liberdade de expressão em veículos de comunicação, Folha de Londrina, Estadão, Movimento e no jornal estudantil Poeira, durante a ditadura militar, dizendo preferir absolutamente o período político atual, mesmo com seus conflitos e desencontros.

Segundo ele, tanto a liberdade de imprensa quanto a liberdade de empresa é fundamental para que se tenha a evolução na comunicação. A liberdade de expressão é condição fundamental para a evolução no relacionamento social.

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