(última parte)

A série de reportagens que neste espaço analisou as perdas e ganhos entre dois padres católicos, envolvendo as redes de televisão ‘Evangelizar é Preciso’ (RCI, do padre Reginaldo Manzotti) e a ‘Século 21’ (de Campinas, capitaneada pelo padre Eduardo Dougherty) termina na abordagem de agora. No entanto, a questão gerada pelo controle dos 17 canais de televisão digitais de 17 importantes capitais de Estado, parece longe de terminar. Está começando.
Nesse primeiro ‘round’, a ‘ TV Século 21’, de Campinas, aparentemente levou a melhor, pois passou a pagar R$ 2,6 milhões mensais à dona dos 17 canais, a CI, Comunicação Integrada, com sede em Curitiba.
Da CI, dizem – sem comprovação – que um ex-ministro seria o verdadeiro dono…
Manzotti, que desde setembro de 2015 vinha surfando na audiência da sua rede (com a RCI e a adição dos 17 canais), parece disposto a levar adiante a questão. Não se entregou, apenas chorou. O padre curitibano não pôde superar a oferta da “Século 21”.
O limite de Manzotti parece que eram “apenas” os R$ 2,1 milhões/mês que vinha pagando ao grupo CI.
JUSTIÇA
Se a questão for à justiça, não se sabe que outros argumentos – além do da questão de quebra de contrato – Manzotti alegará contra a ‘Século 21’. Dificilmente neste domínio do religioso, em que as ofertas em dinheiro de alguma forma estão isentas de impostos, poderá relatar em juízo que estaria perdendo muito dinheiro com a mudança intempestiva.
Haveria contabilidade suficiente para comprovar as perdas?
Sabe-se que no auge da implantação da RCI, com a adição dos 17 canais e penetração assim garantida em 36% do público que liga TV no Brasil, as doações à “Evangelizar-RCI” subiram de R$ 6 milhões/mês para R$ 10 milhões.
Os anúncios comerciais são pouco expressivos nessas redes de televisão religiosas. Sobrevivem (e bem, obrigado) com doações dos fiéis.
Manzotti não confirma, é o que se sabe, essa realidade financeira, guardada entre ele, seus advogados e um restrito número de administradores que o assessora. Mas poderá alegar em favor de sua rede de rádio e televisão que a perda dos 17 canais significa inúmeras dificuldades neste tempo de crise econômico-financeira para garantir emprego para, pelo menos, 110 funcionários, sendo 50 apenas na parte televisiva.
E faça-se justiça: o corpo de jornalistas e técnicos da rádio e TV é de primeira. E o padre – embora conhecido por seu mau humor e distanciamento pouco polido que vota aos empregados, bem como aos contatos pessoais com “simples mortais” – é considerado um empregador sério. Paga salários em dia, corretamente e quase não enfrenta ações trabalhistas.
