terça-feira, 21 abril, 2026
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UFPR concede título de Doutor Honoris Causa ao filósofo e historiador alemão Jörn Rüsen

Professor (em destaque), a esposa dele, professora Inga Rüsen, e a professora Maria Auxiliadora Schmidt, do Setor de Educação da UFPR, no lançamento do livro “Aprendizagem Histórica - Paradigmas e Fundamentos”, na sala Homero de Barros, na UFPR
Professor (em destaque), a esposa dele, professora Inga Rüsen, e a professora Maria Auxiliadora Schmidt, do Setor de Educação da UFPR, no lançamento do livro “Aprendizagem Histórica – Paradigmas e Fundamentos”, na sala Homero de Barros, na UFPR

Conhecido no Brasil pela sua preocupação com a didática da História e com a História como ciência, o filósofo, historiador e professor alemão Jörn Rüsen vai receber das mãos do reitor Zaki Akel Sobrinho, no dia 22 de agosto, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Rüsen, de 78 anos, é uma das mais importantes referências para os estudiosos brasileiros que se interessam pela aprendizagem histórica e por teoria da historiografia e do ensino. É o primeiro título desta natureza proposto pelo Setor de Educação da UFPR, que chega aos 43 anos de existência.

O Brasil é um dos países de maior aceitação de suas obras, e no Paraná, especialmente, ele se sente em casa graças ao trabalho de intercâmbio realizado pelo Laboratório de Pesquisa em Educação Histórica (Lapeduh), da UFPR (Setor de Educação), coordenado pela professora e pesquisadora Maria Auxiliadora Schmidt, cujo perfil integra a oitava edição do livro Vozes do Paraná, a ser lançado em setembro.

TRABALHO EM CURITIBA

Maria Auxiliadora diz que o professor Rüsen considera a didática da História em duas dimensões: a tradicional, voltada para o sistema escolar institucionalizado, e a genérica – social –, em que pensar o tempo vivido se faz no dia a dia, por um sem número de meios.

Rüsen, que já esteve várias vezes em Curitiba para conferências e lançamento de livros, e que já recebeu na Alemanha diversos pesquisadores ligados ao Lapeduh, tem obras publicadas pela editora da Universidade de Brasília (UnB), pela editora da UFPR, pela Vozes e pela paranaense WA Editores. Destacam-se entre os seus mais de 20 livros a trilogia “História Viva”, “Humanismo e a didática da História”, “Teoria da História”, “Cultura faz sentido” e “Aprendizagem Histórica – fundamentos e paradigmas”.

NOVO HUMANISMO

Ele trabalha muito em torno da ideia de um novo tipo de humanismo. Para ele, “os atuais conflitos globais na política, economia, cultura e religião exigem fortemente a definição e reforço de uma cultura global de valores e humanidade”. Explica que o fundamentalismo e o terrorismo, “assim como a fome, a pobreza e a miséria em muitas partes do mundo, fornecem bastante evidência quanto a essa necessidade”.

O humanismo em Rüsen é o auto-cultivar, ou seja, formação moral, cívica, religiosa, escolar que permita tornar o indivíduo responsável por si mesmo. Esse humanismo, diz, está em oposição ao coletivismo determinista que instrumentaliza as pessoas para serem o que o grupo espera que sejam.

O novo humanismo procura construir o ser humano levando em conta as diferentes temporalidades e dimensões da vida cotidiana no tempo presente.

Se para Karl Marx, por exemplo, o humanismo é ideologia burguesa que, pela lei da dialética, tornar-se-ia outra coisa com a emancipação política proletária, para Jörn Rüsen há um alerta de que o humanismo pensado em termos de modos de produção pode levar a outras formas de desumanização; e ele lembra que em Auschwitz havia uma placa com o dizer “O trabalho liberta” e nas ilhas do arquipélago Gulag dizia-se “humanismo real”.

VINTE IDIOMAS

Jörn Rüsen foi professor nas universidades de Bochum e Bielefeld, na Alemanha, além de diretor do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Bielefeld e do Instituto de Altos Estudos em Humanidades de Essen. Atuou como professor visitante em universidades da Índia, África do Sul e Taiwan. É Doutor Honoris Causa pelas universidades de Lud (Suécia) e de Brasília (Brasil). Ele tem livros, artigos científicos e ensaios publicados em mais de vinte idiomas.

EM BRASÍLIA

O historiador e filósofo alemão Jörn Rüsen recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília na última sexta-feira (25).

Professor da Universidade Witten/Herdecke, o homenageado teve sua obra conhecida no Brasil, em Portugal, na Espanha e em diversos países da América Latina principalmente pela iniciativa pioneira da UnB em traduzir e publicar seus seminários, conferências e obras fundamentais para a teoria e a metodologia da História, para a história da historiografia e para a educação histórica.

Rüsen ainda se destaca em disciplinas conexas à área, como a Filosofia e a Política. Atualmente, é considerado uma das mais importantes referências para os estudiosos que se interessam por teoria da historiografia, do ensino e da aprendizagem históricos.

“É um sentimento de gratidão. Primeiro, pelo reconhecimento do meu trabalho acadêmico. Segundo, pelas relações de amizade que se desenvolveram no Brasil. Terceiro, pela consolidação do efeito do pensamento histórico no espaço social e cultural em geral, reforçando a concepção e a prática de uma humanidade mediante a razão”, afirmou o homenageado, durante a cerimônia de outorga do título.

Segundo Rüsen, a humanidade só pode ser entendida e enunciada de maneira intercultural. “E o Brasil é, para mim, o lócus dessa dimensão”, reforçou.

Na UnB, diversos docentes, principalmente do Departamento de História, são interlocutores do professor. Alguns foram orientados por ele na Alemanha em cursos de mestrado e doutorado e continuam vinculados a projetos de intercâmbio e cooperação com ele.

Um de seus ex-alunos, Arthur Alfaix Assis, coordena a Pós-Graduação em História, do Instituto de Ciências Humanas da UnB. Em seu discurso de homenagem a Rüsen, contou como se conheceram e as lições que vieram a partir dali.

“O professor vem insistindo que a História é o melhor jeito para nós entrarmos em contato com o passado que sempre esteve dentro de nós e à nossa volta. Só estamos livres para nos tornarmos quem queremos ser, quando sabemos o que já fomos e o que quisemos. Esse conhecimento é o melhor que a área pode nos dar”, disse.

O reitor da UnB, Ivan Camargo, aproveitou o momento para ressaltar a importância da internacionalização e de parcerias como a que existe com Jörn Rüsen. “O reconhecimento que o professor recebe hoje da UnB não é apenas pelo seu trabalho intelectual e, sim, pela sua importância na nossa Universidade. A melhor forma de relação entre países é através do intercâmbio acadêmico”, finalizou.

O professor Jörn Rüsen e esposa, quando vêm a Curitiba, são hóspedes do casal Walter-Maria Auxiliadora Schmidt.

Walter é filho de pai alemão e fluente no idioma de Goethe.

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