
Nada está decidido quanto à substituição do diretor-geral brasileiro da Binacional Itaipu, Jorge Samek, há 14 anos no cargo.
Até por isso, acirraram-se, dia após dia, os desfiles, declarados ou não, de nomes para o cobiçadíssimo posto e pelo qual já passou gente do perfil de Euclides Scalco, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso.
Tanto interesse pela empresa se justifica: ela é uma espécie de estado autônomo dentro do Paraná, com vida própria e muitos recursos materiais.
Seu orçamento: US$ 850 milhões/ano.
Os nomes dos candidatos estão postos: Rodrigo Rocha Loures, ex-presidente da FIEP, que teria a preferência do presidente interino da República; Abelardo Lupion, ex-deputado federal, líder ruralista, indicação do senador Caiado; o ex-chefe da Casa Civil de Richa, Eduardo Sciarra, indicação de Gilberto Kassab, presidente do PSD; Mário Pereira, ex-governador do Paraná, engenheiro eletricista, ligado a Temer; Orlando Pessuti, diretor do BRDE, de uma ala do PMDB do Paraná, e declarado desafeto de Roberto Requião, senador que faz oposição a Temer.
– Samek está trabalhando como o faz sempre, como se fosse vitalício no cargo; mas, ao mesmo tempo, pronto para entregá-lo a eventual substituto, disse ontem à coluna uma fonte da binacional Brasil-Paraguai.
DOZE HORAS
Samek cumpre a rotina de sempre, trabalhando pelo menos 12 horas/diárias, às vezes parecendo ter o dom ubiquidade: “consegue estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ou é esta a impressão que dá, tal a agilidade com que se movimenta pelo amplo espaço da Itaipu e pelos municípios que vivem sob as bênçãos dos royalties da binacional”, explicava ontem à coluna um engenheiro eletricista, técnico que acompanha o diretor-geral brasileiro em suas andanças diárias. A verdade é uma só com relação a Samek: ele tem amplo trânsito e aceitação na região, não só por ser natural de Foz, onde nasceu e se criou. Mas especialmente por sua ampla inserção na região. Nem sua ligação com Lula, seu patrono e dileto amigo – com ampla rejeição em Foz -, conseguiu diminuir os índices de aceitação de Samek na comunidade.
US$ 850 MILHÕES
Os números indicariam que pelo menos 19% do território nacional dependem de energia fornecida por Itaipu. No Paraguai, parceiro do empreendimento, o consumo de energia de Itaipu corresponde a uma turbina, ou seja, 750 Megawatts.
O orçamento anual da Binacional Itaipu é enorme: US$ 850 milhões. A empresa, apesar de sua enormidade e de seus tentáculos nos dois países, não virou um “cabide emprego”. Primeiro, porque na administração Scalco, que antecedeu a de Samek, houve um cuidadoso programa de admissão de pessoal, privilegiando quadros técnicos essenciais. Depois – faça-se justiça – Jorge Samek conseguiu implantar uma “lei” em Itaipu: as admissões aos quadros da empresa só são feitas mediante concursos públicos. Eventuais funções passageiras, de assessoramento, podem ser exercidas (e são em número pequeno) por nomes fora dos quadros da empresa.
GRANDES CHANCES
A esta altura é difícil arriscar um nome que tenha maior chance junto ao presidente interino.
O que se sabe é que Rocha Loures, pai do braço direito de Temer, Rodrigo Rocha Loures Filho, contaria com muita simpatia de Michel.
Mas se passar, como está anunciada para as próximas horas, no Congresso, a lei que limita a ocupação de posições de direção em estatais e fundos de pensão por nomes exclusivamente técnicos, o que se enxerga à frente – olhando o rol de candidatos citado -, é o nome de Mário Pereira.
Ex-governador, Pereira, engenheiro elétrico com enorme currículo em empresas estatais e particulares, teria ainda “a seu favor”, o fato de manter distância regulamentar de Roberto Requião dentro do PMDB-PR.
RR é sabidamente eleitor de Dilma no Senado e nunca escondeu seu distanciamento de Michel Temer.

