segunda-feira, 20 abril, 2026
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Carneiro Neto e o neurologista Bittencourt querem a “imortalidade”

Antonio Carlos Carneiro Neto, Paulo M.de Bittencourt e Ernani Buchmann
Antonio Carlos Carneiro Neto, Paulo M.de Bittencourt e Ernani Buchmann

A notícia, objetiva e precisa, é a seguinte: o jornalista de esportes Antonio Carlos Carneiro Neto, e o médico neurologista Paulo M.de Bittencourt, são candidatos à cadeira da Academia Paranaense de Letras (APL) vaga com a morte de Valério Hoerner, professor da PUCPR, que foi especializado em biografias. Buscam a “imortalidade”, a glória que fica na APL.

A data da eleição deverá ser definida esta semana pela presidente Chloris Justen.

HERANÇA FRANCESA

As academias de letras no Brasil, em grande parte herança da cultura francesa, deixaram de ser expressão de beletrismo, de puro cultivo das letras e ‘abrigo’ de escritores e poetas. Pelo menos isso é o que se observa, há dezenas de anos, na paradigmática Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada por Machado de Assis.

Elas passaram, a exemplo da ABL, também a acolher notáveis da comunidade abrangente.

A ABL tem entre seus ‘imortais’ gente da estatura intelectual do ex-ministro de Relações Exteriores, professor de Direito Celso Lafer e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assim como no passado acolheu notáveis do mundo político, como o ditador-presidente Getúlio Vargas, tendo acolhido também jornalistas que não são, exatamente escritores de forte expressão, como Merval Pereira.

IVES GANDRA MARTINS

A Casa de Machado é democrática, pois, e esse espírito de abertura levou congêneres, como a Academia Paulista de Letras, ter entre seus notáveis gente como o constitucionalista Yves Gandra Martins e o político Gabriel Chalita. E alguns médicos do patriciado paulistano.

A Academia Paranaense de Letras (APL), fundada no começo dos 1930, começou voltada quase que exclusivamente às letras clássicas. Com o passar dos anos, foi abrindo-se para acolher notáveis da vida do Paraná.

Passou a ser mais recentemente – na minha opinião – muito mais uma academia de notáveis do que um centro de beletrismo.

Assim, foi-se renovando, ao acolher o mestre do Direito Penal – um paranaense de verdadeira dimensão nacional – Renê Dotti, assim como o professor Belmiro Valverde Jobim Castor (in memoriam), Clemente Ivo Juliatto, matemático e educador universitário, Eduardo Rocha Virmond, advogado e ex-presidente da OAB-PR, Darci Piana, presidente da Federação do Comércio do Paraná, Clotilde Branco Germiniani, professora de Veterinária.

Antes abrira-se a um tipo humano especial, o médico Moyses Paciornik.

BUCHMANN, ADHERBAL…

Essa introdução dá uma ideia do novo espírito que há pelo menos 20 anos vai presidindo a Academia Paranaense de Letras (APL). Essa renovação, estou certo, tem muito a ver com a presença na casa de nomes como Ernani Buchmann, Adherbal Fortes Sá, Dante Mendonça, Nilson Monteiro que contribuíram para a ampliar com esse sopro renovador.

Para mim, que acompanho de longe a vida da APL, não há exatamente novidade na inscrição do jornalista e cronista esportivo Antonio Carlos Carneiro Neto que se candidata à “imortalidade”, na vaga deixada por Valério Hoerner. Carneiro está na categoria dos notáveis paranaenses, aqueles com biografia e história de vida que justificam eventual aceitação da APL.

O outro candidato, fiquei sabendo na manhã desta terça, 3, é o médico neurologista, curitibano, Paulo Rogério M.de Bittencourt, 63 anos, PhD em Neurologia pela Universidade de Londres. Em 2013 ele lançou, em edição independente, seu livro “Quando a cabeça dá problema e só os mutantes sobrevivem”. Ele tem outros livros editados para circulação meramente acadêmica, como o que contém sua tese de doutorado em Londres.

Num determinado momento, na semana, o nome de Luiz Carlos Borges da Silveira surgiu como também candidato à vaga na APL. O que não ocorreu, depois.

CARNEIRO NETO

Carneiro Neto, a quem estou fortemente ligado – até em função da profissão comum, e também por ter sido eu amigo de seu pai, desembargador Armando Jorge Carneiro – é jornalista que escreveu muitos livros. E assim se expôs ao julgamento público, além daquele a que diariamente se coloca no jornal e/ou rádio. Seus livros versam sobre o futebol e a história dos clubes paranaenses. Se eleito, será, então, a presença do jornalismo esportivo no reduto de notáveis. E mais: com sua candidatura, o jornalista se propõe a suceder o professor da PUCPR Valério Hoerner, que escreveu dois livros sobre o Atlético Paranaense.

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