
Na semana passada, quando fui ao gabinete de Fernanda Richa para convidá-la a escrever o prefácio de meu livro Vozes do Paraná volume 8, a secretária de Desenvolvimento Social queixava-se do calor.
Sem ar condicionado – “a aparelhagem está precisando de conserto e não temos dinheiro para arrumá-la”, explicou-me a também primeira dama do Paraná. E pedia que todas as janelas e portas ficassem abertas, para combater o calorão então reinante, hoje substituído por temperaturas baixíssimas nesta Curitiba imprevisível.
Com ela, o clima de contenção de gastos públicos é levado ao pé da letra.
As fiéis escudeiras de Fernanda, a assessora especial Alexandrina, e a chefe de Gabinete, jornalista Silvia Ogrodovski, são um capítulo à parte no gabinete: estão presentes a cada segundo, ao lado de Fernanda, disponibilizando dados, informações, preparando e conciliando a agenda dessa mulher que é um ser político essencial.
NO DNA DE FERNANDA
“Fernanda é boa política de nascença”, diz-me, como que a confirmar minha definição, a vereadora Julieta Reis, a quem encontrara minutos antes de entrar no enorme gabinete.
Ela o herdou do governador, que por meses de lá despachou, quando seu gabinete funcionou ali no Palácio das Araucárias.
Julieta, sempre muito atarefada, me precedera na audiência com Fernanda, a quem fora apresentar dirigentes de associação de artesãos de Curitiba.
No nosso rápido encontro, Julieta fala da sucessão municipal, e do grupo político a que está ligada há muitos anos e com o qual é parte hoje essencial da história de Curitiba.
Para ela, o nome de Fernanda seria sempre “de enorme aceitação e densidade entre os eleitores”, para eventualmente concorrer à Prefeitura.
Mas como Fernanda é mulher de Beto Richa, a política, por ora, lhe está interditada…
O PREFÁCIO
Fernanda aceitou meu convite e escreverá o prefácio de Vozes do Paraná 8.
Ela foi – fez questão de lembrar – uma das personagens do Vozes do Paraná 1, lançado em 2008, com grande repercussão.
Otimista, embora reconhecendo dificuldades políticas que o Governo de Beto Richa enfrentou nos últimos meses, Fernanda acha que o momento é de todo favorável ao Governo, que recupera espaços antes comprometidos por embates políticos.
A neta do banqueiro Avelino Vieira, uma das mais impressionantes vocações de empreendedores que o Paraná ofereceu ao Brasil, é especialista em ouvir. Nisso trai as suas raízes mineiras, e mostra expressões de gentileza e loquacidade como parte de seu DNA árabe cristão, o lado do libanês Avelino que, um dia, a partir do norte do Paraná, construiu um império bancário, o grupo Bamerindus.
FANI LERNER
No breve encontro, Fernanda fala de planos e metas de sua Secretaria, em que os objetivos de atendimento aos desvalidos e à promoção social estão sendo encaminhados por diversos programas.
E, num dado momento, acabamos falando em Fani Lerner de quem, recordei, fui por anos membros do Conselho do Provopar (primeiro, do Município de Curitiba) e, depois, do Provopar estadual.
Incondicional admiradora da vida e obra de Fani, Fernanda foi definitiva: fez questão de manter muitas ações montadas pela mulher de Jaime Lerner.
E, com ênfase, citou nomes de quadros que formavam o ‘staff’ de Fani, que conservou ao seu lado.
Um deles, a da diligentíssima Alexandrina.
ECUMENISMO
Espírito aberto aos tempos de ecumenismo religioso, Fernanda nunca se nega a atender convites para participar de eventos em igrejas cristãs ou não.
Como também não esconde sua sólida formação católica.
Assim, quando lhe entrego um exemplar da revista IDEIAS e outro do Jornal Universidade, do Instituto Ciência e Fé de Curitiba, ela se detém na leitura de uma análise que fiz para aquelas publicações sobre o livro “Maria”, do jornalista global Rodrigo Alvarez. O livro, disse-me, já o havia lido.
“Maria” está há meses nos primeiros lugares nos rankings dos livros mais vendidos no Brasil.
Fernanda se mostrou muito interessada em ler minha crítica ao livro em que Alvarez disseca essa personagem à qual ele denomina de “a mulher mais importante do mundo”.
Salve a Fernanda Richa.
