Cerca de mil alemães chegaram ao Paraguai nos últimos dois meses, o que já chamou a atenção até da imprensa internacional, como a BBC de Londres e a ARD-Radio y Televisión de Alemania, da Deutsche Welle, como noticia o jornal Última Hora.
O jornal ouviu alguns imigrantes, que deram várias razões para a mudança. Uma delas é porque não querem vacinar-se contra a covid-19, que é obrigatório na Alemanha. Outra porque buscam melhor qualidade de vida, o que inclui baixos impostos e outras vantagens em relação ao país de origem.
Há ainda uma boa dose de preconceito contra os muçulmanos, que estão se mudando em massa para a Alemanha depois que os talibãs tomaram o poder no Afeganistão.
“Ultimamente, os muçulmanos que estão ingressando são muito protegidos pelo governo, em detrimento dos direitos dos próprios alemães, e isso não está certo. É uma coisa que foi a gota d’água para decidir vir ao Paraguai”, disse ao Última Hora o imigrante Stephan Hausen, que chegou há dois meses da Alemanha e se instalou em Hohenau.
Mas ele acrescentou que “aqui no Paraguai temos mais facilitades no custo de vida e nas possibilidades de empreendimentos e investimentos”.
E elogiou: “Além disso, aqui respiramos ar puro, temos um melhor panorama para criar nossos filhos, existem mais facilidades com os impostos, com o custo de vida e uma série de vantagens em relação à Alemanha”.
O prefeito de Hohenau, Enrique Hahn, informou que estão sendo iniciado um censo para traçar o perfil dos que estão chegando, para romover uma inserção ordenada e produtiva dos novos moradores.
O prefeito contou que, desde a fundação do município por colonos alemães, em 1900, sempre vêm imigrantes europeus, principalmente alemães, mas só há poucos meses é registrada uma chegada massiva.
MENGELE
Uma curiosidade (triste) sobre Hohenau: em 1959, foi a cidade que o criminoso nazista Josef Mengele escolheu para viver, depois de fugir de Buenos Aires, quando chegou à Argentina um pedido de extradição dele, feito pelo governo alemão.
Mengele conseguiu uma identidade paraguaia, graças à amizade com o ditador Alfredo Stroessner, mas continuou com medo de ser pego pela polícia de Israel, que estava em sua perseguição. Decidiu, então, vir para o Brasil, onde viveu deprimido e solitário até a morte, por afogamento, em 1979, na praia de Bertioga.