
Do advogado Luiz Carlos Rocha, em seu Twitter, comentando artigo de Leonardo Sakamoto, do UOL:
“O fato é que, na prova dos nove, o Moro político não quer para si as normas morais que quis impor aos outros”.
Leia a seguir o artigo de Sakamoto:
Moro caiu na mesma armadilha que criou para Lula e seus alvos na Lava Jato
Leonardo Sakamoto
O ex-juiz Sergio Moro (Podemos) caiu em armadilha semelhante àquela que criou para seus alvos na operação Lava Jato, entre eles o ex-presidente Lula (PT). O que mostra que o mundo não gira, ele capota. Após ter revelado que faturou em um ano ao menos R$ 3,7 milhões como consultor da Alvarez e Marsal, que atua como administradora judicial de companhias condenadas por ele na Lava Jato, como a Odebrecht e a OAS, Moro continua a ser cobrado para se explicar por essa incômoda relação. O mais importante, a natureza e os destinatários de seus serviços, até agora, não vieram à tona.
Tanto Moro quanto a sua contratadora dizem que não há conflito de interesses, pois a Alvarez e Marsal foi escolhida pela Justiça para a milionária tarefa e que o ex-ministro de Jair Bolsonaro assinou uma cláusula em que não atuaria com quem ele condenou ou investigou. Claro que as justificativas não bastam.
Nos processos contra o ex-presidente Lula, o então juiz federal defendeu a teoria de que não parecia ser necessário demonstrar que os mesmos valores recebidos da Petrobras pela OAS e pela Odebrech tenham sido usados supostamente em benefício de Lula, como na reforma do sítio de Atibaia. Disse que “o dinheiro é fungível, mistura-se na rede bancária e é objeto de operações de compensação em contas de um grupo empresarial”. Ou seja, para ele, não importava que conta recebeu, mas quais as relações estabelecidas e quem eram os beneficiários.
Por essa lógica, críticos de Moro batem na tecla de que o dinheiro do caixa que pagou suas consultorias pertence à mesma Alvarez e Marsal que recebeu recursos pagos por empreiteiras que ele quebrou através de suas decisões. Dinheiro que, levando em conta as sentenças do ex-juiz, também estava misturado com dinheiro público desviado da Petrobras.
