
Por Francisco Duarte, jornalista
A revelação de negociações entre o partido Podemos e o recém criado União Brasil para dar viabilidade à candidatura presidencial do ex-juiz Sergio Moro é vista pelo advogado Luiz Carlos da Rocha como a mais concreta, até agora, entre todas as tentativas de viabilizar a tal terceira via.
Se vingar o acordo, a candidatura de Moro ganha musculatura representada pela maior bancada federal e dinheiro a farta de um Fundo Eleitoral bilionário capaz de seduzir deputados ávidos pela reeleição a embarcarem na candidatura do ex-juiz. As tratativas tem à frente a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu, que almeja a posição de vice do candidato.
A notícia publicada esta semana com destaque de capa e página inteira pelo jornal O Globo não deixa dúvidas a respeito do engajamento na candidatura Moro do grupo de comunicação da família Marinho. A propósito, observa Rocha, o colunista Merval Pereira – tido na imprensa como a palavra oficial da Globo – há um mês já sinalizava essa articulação.
Rochinha, no entanto, vê dois grandes obstáculos para Moro viabilizar sua candidatura: o primeiro é o discurso anticorrupção que não tem mais a energia de 2018, principalmente após as revelações do The Intercept e da Operação Spoofing, que desmoralizaram a operação Lava Jato para grande parte dos eleitores.
O outro é a economia, que vai dar o tom da campanha, sendo que Moro não tem experiência, tampouco um projeto econômico consistente. E mesmo que venha a ter, se não passar confiança aos eleitores de ser capaz de sustentá-lo, será visto como outra aventura, a exemplo de Bolsonaro.
Além disso, Rocha acredita que o governador de São Paulo, João Dória, não vai desistir da candidatura e tenderá a crescer durante a campanha, aumentando a difusão da terceira via.
A revelação das negociações com o União Brasil, contudo, sacramenta a inviabilidade da candidatura de Sérgio Moro pelo inexpressivo Podemos e pode significar a cartada decisiva de Moro: se mesmo com todo o aparato do partido que surge da fusão do DEM com o PSL Moro não crescer nas pesquisas, a pretensão presidencial do ex-juiz já era.
Aí, provavelmente, vá tentar uma cadeira no Senado, como suspeita o ex-ministro Joaquim Barbosa, a quem Moro tentou em vão convencer a embarcar na sua canoa. Há quem esteja convencido de que o verdadeiro interesse de Sergio Moro com o seu projeto político mais recente seja a busca de um foro privilegiado – aquele mesmo que ele tanto condenava quando vestia toga.
