quarta-feira, 6 maio, 2026
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Fórum de Opiniões: A estratégia eleitoral de Moro é a fanfarrice

Por Francisco de Abreu Duarte, jornalista

Patinando nas pesquisas, apesar de contar com amplo e intenso apoio da velha mídia, o ex-juiz Sergio Moro tenta se agarrar à imagem de verdugo do presidente Lula para tentar se colocar como terceira via e opção à ala da direita civilizada que rejeita Jair Bolsonaro.

Moro já divide com o atual presidente da República os votos da extrema direita, mas Bolsonaro ainda se mantém à frente do ex-juiz por dois motivos principais: além de contar com votos de parte de uma centro-direita democrática que rejeita Lula por preconceito, o ex-capitão conta também com a fidelidade da extrema direita que não perdoa o que considera “traição” do ex-juiz a Bolsonaro.

Em resumo, ao se apresentar como candidato Moro herdou parte dos votos que a centro-direita (e também de eleitores mais à esquerda – PSOL, principalmente) davam a Ciro Gomes e a Bolsonaro, e uma parte dos votos dos eleitores de extrema direita, que até então eram exclusivos do atual presidente.

Por esse raciocínio, que se baseia no acompanhamento e observação da mídia, Moro cresceu em cima de Ciro e de Bolsonaro; não tirou um voto sequer de Lula e dificilmente irá tirar. Por isso se mantem na terceira posição nas pesquisas, com mirrados 9%, bem atrás dos 23% do seu ex-chefe (Quaest/Genial, 12/1/22).

A única via possível para o ex-juiz se viabilizar como candidato é aumentar o seu potencial de votos para pelo menos um empate técnico com Bolsonaro. Se conseguir isso, Moro vai tentar se apresentar como o único capaz de disputar com Lula num eventual segundo turno, acreditando que poderá herdar grande parte dos votos dos bolsonaristas.

Francisco José de Abreu Duarte

A cota de eleitores que poderia retirar de Bolsonaro antes do primeiro turno Moro já esgotou, e se atacar diretamente o presidente só vai piorar a sua situação. Ciente disso, evita o embate direto com seu antigo chefe, até porque Bolsonaro, de maneira ameaçadora, dá sinais de que conhece os porões imundos em que podem ter ocorrido as conversas para condenação de Lula sem provas, sem fato determinado, sem causa de condenação e em tempo recorde – como disse o ministro Gilmar Mendes, do STF. Então, o modus operandi contra Bolsonaro mistura oportunismo, cumplicidade e covardia.

O que sobra a Moro é tentar se apresentar com a fantasia que a velha mídia criou para ele de ‘juiz implacável contra a corrupção’ (doleiros e ‘imelindráveis’ gargalham). Se dependesse só dessa fonte, seria um sucesso, mas além de a velha mídia ter sido desmoralizada não pela esquerda, mas por Bolsonaro, há ainda as graves revelações do The Intercept Brasil, que expuseram as vísceras da atuação de Sérgio Moro no comando de agentes do Ministério Público – dono exclusivo da Ação Penal, frise-se – e da Polícia Federal, como reconheceu o STF. Então, só posar de herói da Globo não cola mais. A saída que Moro vai tentar é se vender para a extrema direita como o antiLula – única coisa que sobrou para ele. Mesmo assim é uma estratégia capenga, porque Bolsonaro, para 23% da população que ainda o têm como líder, é o antiLula autêntico.

Por isso Moro tem tentado aparecer na imprensa como desafiante de Lula para debate, repetindo a lenga-lenga do Mensalão e do Petrolão (pela senilidade e esvaziamento dessas pautas, parece estar sendo instruído por marqueteiros tucanos da velha mídia, os mesmos que lhe deram vida). Obviamente, sua intenção é passar a ideia de que Lula teme debater com ele, sabendo que o presidente petista não se deixará pautar por adversários políticos, tampouco dar ao ex-juiz ocasião para fanfarrices. Lula, obviamente, não tem nada a ganhar debatendo com Moro agora, até porque o ex-juiz conta que tal enfrentamento se dará nos confortáveis (para ele) espaços da velha mídia.

A seu tempo, o presidente Lula enfrentará Moro nos debates eleitorais, que é o que interessa. E, então, o palco de exposição dos candidatos não se limitará aos tradicionais das Redes Globo e Band, mas estão aí outros tão importantes e com maior credibilidade como TV GGN (do Luiz Nassif), TIB, Canal Prerrogativas, Agência Pública, Opera Mundi, TV Fórum, entre tantos outros. E, nestes, não haverá espaços para fake news, mas certamente para outro termo, igualmente anglicano, embora não tão ao gosto do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro: o LAWFARE.

https://muraldoparana.com.br/opiniao-de-valor-por-que-bolsonaro-e-lula-tem-medo-de-moro/

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