domingo, 10 maio, 2026
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No “Caminhos do Sagrado”, Dallagnol mostrará diferença do kardecismo de religiões de cunho afro

Daniel Dallagnol. (Foto: Carlos Costa/CMC)

E explicará porque os espíritas acham que “fora da caridade não há salvação”

 

Daniel Dallagnol é um estudioso e propagador da doutrina kardecista codificada por Allan Kardec no século 19, em França. Ele é o convidado para apresentar os postulados do kardecismo no webnair do Instituto Ciência e Fé de Curitiba denominada Caminhos do Sagrado. Será no dia 25, quinta-feira próxima. Essa programação online já ouviu lideres católico, judaico, protestante, budista. Dallagnol oferece um “aperitivo” de ângulos que deverá abordar na conferência coordenada pelo professor e oncologista Cícero Urban.

Por exemplo, explicará as diferenças que existem entre kardecismo e umbanda e candomblé, manifestações de matrizes africanas. Os espíritos – dirá Dallagnol, diferenciam-se e muito, deles, a começar porque não admitem sacrifícios e rituais. Ao mesmo tempo exporá que a Federação Espírita do Paraná (FEP) à qual está filiado, reúne pelo menos 70 mil espíritas em centenas de centros em todo o Paraná. E também abordará o enunciado tão repetido – “fora da caridade não há salvação”, quando apontará muitas obras kardecistas em todo o Brasil.

Acompanhe a entrevista de Daniel Dallagnol ao site:

P) Qual a relação do kardecismo da Federação Espírita do Paraná com o movimento do professor Maury Cruz?

Por mais se tenha buscado contato e aproximação com o Médium Mauri Cruz, da SBEE nunca se obteve dele e das suas organizações a aproximação com o Movimento Espírita Organizado e tampouco com a Federação Espírita do Paraná. É verdade também que nunca houve qualquer hostilidade dele, do Movimento ou da Federação para que isso acontecesse. A relação sempre foi amistosa, contudo, distante.

É necessário reconhecer que o gigantismo de sua obra (Faculdade, Centro Espírita Leocádio Correa e Centros Adesos) aqui em Curitiba e em outros estados deixa um legado de boas realizações, portanto, nosso pessoal reconhecimento aos seus feitos. Como nunca houve por parte dele qualquer ânimo de ligação, não sabemos o que de fato acontecerá com as organizações por ele criadas e desenvolvidas. Para o Movimento Espírita, com sua desencarnação, nada mudou operacionalmente, contudo, reconhecemos êxitos na sua jornada.

Allan Kardec

P) Que linha vai adotar no “Caminhos do Sagrado”?

Na quinta-feira, 22, no encontro online, vou me deter inicialmente num breve histórico sobre o surgimento do Espiritismo e a contribuição de iminentes pesquisadores, principalmente na Europa do século 19, e seus mecanismos de afirmação através dos fenômenos mediúnicos até a Codificação Espírita pelo notável Prof. Hipolite Leon Denizard Rivail, que adotou o codinome de Allan Kardec.

P) Como coadunar conhecimentos de Genéticos com espiritualidade?

Este assunto terá destaque especial na medida em que tratarei a questão da Lei da Reencarnação, que consiste no retorno do Espírito imortal a viver num novo corpo material (fisiológico) para uma nova experiência existencial. Há neste aspecto, além da largueza moral a importância dos aspectos genéticos, em face do legado dos pais que receberão no lar, na condição de filho, oferecendo as suas contribuições na formação do corpo físico no renascente. Este é um aspecto – a reencarnação – em que se misturam fortemente as questões morais com as questões fisiológicas e nisso, nenhuma contradição com a ciência; contudo, provavelmente sim com alguns aspectos teológicos ou dogmáticos em relação a fé.

Federação Espírita do Paraná

P) Como você explica as questões de EQMs, Experiências de Quase Morte?

No âmbito da Doutrina Espírita esta é mais uma dentre muitas provas que no corpo há um Espírito. Pois é ele que remete às lembranças, por qualquer motivo (trauma, coma, sedação…); indica que viu o “mundo espiritual”, falou com pessoas, viu túnel de luz, viu seu corpo sendo medicado, voltou ao corpo, etc. São muitas as narrativas neste sentido.

No âmbito da Doutrina Espírita, particularmente em O Livro dos Espíritos, está desenvolvido um tema que trata do princípio da “Emancipação da Alma”, que a rigor ocorre todas as vezes em que dormimos ou excepcionalmente nas situações acima elencadas. Nada de tão extraordinário neste aspecto, uma vez que há médiuns que fazem este processo conscientemente, com muita regularidade.

P) É possível ter uma estimativa aproximada do número de kardecistas no Paraná?

No Paraná existem cerca de 300 Centros Espíritas federados (filiados à Federação Espírita do Paraná), outros adesos e um número pequeno de não filiados. Estima-se que no Paraná existam cerca de 70 mil espíritas frequentadores de Casas Espíritas (em geral trabalhadores das instituições) No Brasil, sabe-se que 2% da população brasileira é espírita declarado e cerca de 20% são simpatizantes. No Brasil há cerca de 10 mil Centros Espíritas.

P) A chamada lei da caridade pode explicar a importância que os kardecistas dão ação social?

Uma das características do Espiritismo não é praticar assistencialismo, tampouco fazer proselitismo. A força de sua Doutrina é o esclarecimento e a consolação. Ainda assim, muitas instituições espíritas se ocupam com atividades de assistência social ligadas as favelas, lares para crianças e idosos, hospitais, escolas sobretudo infantis (creches e pré-escolas), contra-turno escolar, etc.

Como as instituições espíritas são autônomas entre si, cada uma desenvolve suas atividades em função da vocação e necessidade social que as cercam. Importante destacar que a conhecida “campanha do quilo” originou-se no meio espírita, na década de 40 do século passado. Aliás, não se pode desconhecer que o meio espírita era muito conhecido por realizar consultas médicas e aviamento de receituário mediúnico, hoje completamente abolido como prática das instituições espíritas.

Lembrar que a folha de serviços do meio espírita às comunidades sempre foi muito relevante, inclusive, na Gripe Espanhola, quando muitas Casas Espíritas se constituíram em verdadeiras enfermarias, a exemplo do ocorrido naquela pandemia em que a Federação Espírita do Paraná assim procedeu.

P) É possível dar ideia do papel da Federação Espírita do Paraná?

A obra da Federação, no âmbito do social, sempre foi muito intensa: Albergue Noturno, Escola Profissional Maria Ruth Junqueira, Fundação Hildebrando de Araújo, Creche Josefina Rocha, Creche Bezerra de Menezes, Creche Mariinha (Campo Largo) e Hospital de Psiquiatria Bom Retiro. Nisso se vão mais de 70 anos de atividades sociais que a FEP desenvolveu e ainda em boa dose desenvolve.

A folha de serviços à comunidade ao longo de décadas tem caracterizado o Movimento Espírita e suas instituições, já tem no frontispício da Doutrina o lema “Fora da Caridade Não há Salvação”.

P) No entanto, uma obra muito conhecida, o Albergue Espírita, foi fechado em Curitiba…

O fechamento do Albergue Noturno se deveu pela natureza do próprio tempo. Albergar pessoas passou a ser obra e ação do “estado”, pois não é só albergar é necessário desenvolver ações de base (emprego, medicação, cuidados outros), além do risco institucional na albergação de pessoas necessitadas. Importante destacar que para tal atividade não se pode cobrar do albergado e em Curitiba há uma estrutura funcional e capacitada para adequadamente realizar esta tarefa, que é a FAS.

Por fim, recordar que toda a atividade espírita é desenvolvida por voluntários, onde ninguém cobra nada pela sua doação, contudo, em se tratando de Instituições necessário se tenham profissionais capacitados para desenvolver as tarefas a que se propõem, contudo, para estes as leis trabalhistas impõem remuneração e custos elevados para sustentação, o que torna o trabalho inviável. Como o “estado” tem obrigação social, melhor é que ele desenvolva tais iniciativas em face da multiplicidade das ações para se atingir o bem comum.

P) Quais as diferenças do kardecismo da umbanda e do candomblé?

No Brasil vivemos um sincretismo religioso muito rico nas suas diversas expressões. Contudo, a Umbanda, o Candomblé e o Espiritismo são expressões muito diferentes tanto na forma dos rituais quanto nos aspectos doutrinários. No Espiritismo não há nenhuma oferenda, sacrifícios, rituais, imagens, velas, paramentos, cânticos, esponsais, batismos, iniciação ou qualquer outra forma que caracteriza suas manifestações.

Há um corpo doutrinário sólido, conhecido como o Pentateuco Espírita, formado pelo Livro dos Espíritos, Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese e o Céu e o Inferno, além de outras obras de importância (Revista Espírita, O que é o Espiritismo, etc.)

P) Mas vocês têm pontos em comum…

O Único ponto em comum com a Umbanda e o Candomblé é o fato de que está consagrada a manifestação dos Espíritos e o reconhecimento das questões ligadas à vida espiritual, ainda que no Candomblé não se trate especificamente dos espíritos e sim das “forças da natureza” como caracterização dos aspectos da espirituais.

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