
Ecéa Wagner de Abreu Duarte, viúva de Fernando Campelo Duarte. Falecimento às 3h00 da madrugada do dia 15 de novembro. Local: Casa de Repouso Santa Ana, Curitiba. Mãe de oito filhos, avó e bisavó. Natural de Mendes, Rio de Janeiro. Tinha 97 anos. Morreu dormindo. Foi mãe e educadora.
Dos filhos, dos netos e até de crianças do bairro, amigas dos filhos, ajudando-os a fazer trabalhos escolares e lições de casa. Zelosa com a aplicação do idioma, ensinava aos pequenos a forma correta dos verbos flexionados.

Quem aprendia já passava o ensinamento adiante: “dona Ecéa disse que não é ‘cheguemo’, é chegamos”. Herdou do pai, cearense de Maranguape, o amor aos livros; da mãe, alemã de Munique, Otília, uma conduta de vida bastante rígida e a contenção das emoções.
Aparentemente – mas só aparentemente – recebia mais amor do que dava. Profundamente religiosa, católica de boa formação, sem ser carola. Conservadora sem ser atrasada. Teimosa, como a definia o marido Fernando, que ela cuidou durante longo período de coma.
Dona Ecéa descansará ao lado da filha Ângela, no cemitério em São José dos Pinhais. Dos 8 filhos, dois – Ângela Maria e Fernando Wagner- já estão com ela. Será velada nesse dia 16, das 10 às 14 horas, no Cemitério Memorial da Vida, em São José dos Pinhais.

MULHER SINGULAR
Conheci dona Ecéa no ano de 1968, e a seus filhos, como Fernando Wagner de Abreu Duarte , Francisco José de Abreu Duarte, João Luiz de Abreu Duarte, Elizabeth, Zeza, Ângela, Maria Imaculada e Maria Lúcia Madeira Duarte. Eu, desde o primeiro contato com ela, senti uma forte personalidade em minha frente. Gentil, mas reservada, ela tinha um pronunciado sotaque carioca, que poderia, aos desavisados, indicar ser uma fluminense quatrocentona.
Pelo contrário, Ecéa foi fruto da mais insuspeitada mistura genética – um cearense de Maranguape, e uma alemã de Munique, dona Otília, que, por sinal, conheci ao visitá-los em 1981, no Rio de Janeiro.
Ecéa era uma mulher de oração, teimosamente orante e, ao mesmo tempo, voltada a um cristianismo horizontal, sacrificando-se pela família e testemunhando, com um raciocínio ordenado e a fala e escrita corretíssimas, pertencer a uma geração que se guiava por padrões que nunca foram modismos. Hoje deve estar na Glória, aquele espaço de vida abundante que tanto indicou aos filhos, netos e bisnetos e a todos que tiveram o privilégio de com ela conviver.
(AMGH)
