domingo, 10 maio, 2026
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Kalkbrenner, um ‘jovem’ histórico fotógrafo, aos 90 anos

“A taça Jules Rimet – a autêntica- foi um dos seus galardões profissionais, captada num raro momento pela lente do curitibano

 

As novas gerações não têm obrigação de conhecer o curitibano José Kalkbrenner, com forte sotaque germânico, uma fortaleza física construída a partir de sua vida voltada ao ciclismo. Neste dia 9 ele completou 90 anos, boa parte desse tempo todo dedicada à fotografia. Fotografia de arte e fotojornalismo. O antigo Foto Paris, na Travessa Oliveira Bello, foi um dos espaços em que ele se expressou e ganhou respeito da cidade.

Pois Kalkbrenner recebeu durante o dia de hoje,9, as homenagens de alguns resistentes ex-companheiros de profissão, como Luiz Geraldo Mazza e Luiz Renato Ribas. Os abraços e as conversas serviram para rememorar a importância que ele assumiu na imprensa de Curitiba e, também, no ciclismo brasileiro. Chegou a ser vice-campeão sulamericano, em provas feitas em Montevideo e Caracas, no final dos anos 1940.

Kalbrenner começou a fotografar aos 14 anos, já como profissional, trabalhando no grande centro fotográfico que Curitiba tinha, de Carlos Boutin, na Rua Barão do Rio |Branco, próximo à Rua Marechal de Deodoro. O inventário afetivo-profissional de Kalk , com quem trabalhei no antigo Diário do Paraná – o jornal Associado que revolucionou a imprensa do Paraná – comporta um mundo de lembranças, parte das quais pode ser encontrada na sua obra arquivada no estúdio que mantém. Hoje é só ponto de hobby, explica.

Kalbrenner está umbilicalmente ligado à história de jornais como a Gazeta do Povo e Paraná Esportivo, além do Diário do Paraná, em que cobriu toda sorte de eventos. Alguns deles muito marcantes, como podem lembrar outros antigos companheiros de trabalho, como o jornalista Adherbal Fortes Sá Junior. Quem salvou Kalbrenner para a arte fotográfica curitibana e o fotojornalismo foi o também jornalista João Silveira Filho que, no ano de 1949, dissuadiu-o da intenção de mudar-se para Montevideo.

Estava contratado pelo Ciclismo do Penarol. Os uruguaios, fascinados pelo ciclismo que Kal praticava, tentaram fixá-lo por lá. Na verdade, “tudo estava decidido”, diz o veterano fotógrafo, e a mudança não ocorreu porque Silveira intermediou-lhe o primeiro trabalho de fotojornjalismo, na GP.

– Grandes momentos da fotografia, são muitos. O maior deles, do meu legado profissional à imprensa, está aquela foto histórica da Taça Jules Rimet, que fotografei no Palácio do Catete. Foi um golpe de sorte: um dos majorengos da antiga CDB (CBD), Mozart de Giorgio, em meio ao tumulto da entrada de multidão no Catete que JK receberia a seleção, apelou ao Vinicius Coelho. Pediu a presença de um fotógrafo. Eu estava na hora certa, no lugar certo.

Mozart di Giorgio, em altas vozes bradava: “Você está fotografando a verdadeira Taça Jules Rimet, que raramente sai de seu abrigo seguro.” Kalbrenner tem o recorte da foto publicada. E a satisfação de ter tido sob sua lente o grande troféu, que só era até então apresentado em réplica no Brasil. Depois, todos sabemos da triste destino da taça. Salve o Kalkbrenner.

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