domingo, 10 maio, 2026
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Matando javali no grito

O publicitário curitibano Eloi Zanetti, hoje aposentado e morando na Serra da Mantiqueira, tem encontrado boas histórias locais e está preparando um livro sobre os assuntos descobertos. Este é um caso: Enquanto os americanos caçam seus javalis com rifles de alta precisão, mira telescópica, visão noturna, trepeiros sofisticados para se acomodarem em árvores e fazer espera, sprays para tirar o cheiro humano a fim de não espantar a caça, tem brasileiro matando javali à faca e no corpo a corpo.

Eloi, em conversa com um morador local, o David de Andrade Sampaio, caçador autorizado pelo Ibama, descobriu que ele e seus amigos caçam assim: saem para o mato com dois tipos de cães – os que vão descobrir, encurralar e cercar a caça e uma dupla de pitbulls, que, na hora certa, serão soltos para avançar sobre os javalis, morder-lhes as orelhas para imobilizá-los. O caçador, com uma faca afiada, sobe no dorso do animal e mata-o com uma só estocada. Estamos falando de animais, às vezes com mais de cem quilos, presas afiadas, perigosas e agressivos.

Um incômodo e perigoso invasor

Os javalis são uma espécie exótica e entraram pelo Rio Grande do Sul via Argentina e Uruguai que os importaram da Europa nas décadas de 50 e 60. Reproduzem-se rápido com ninhadas de até 10 filhotes. Dizem os observadores que quando se mata uma fêmea alfa, imediatamente todas as outras fêmeas do bando entram no cio. A propagação é tão rápida que já ocupam boa parte dos municípios brasileiros – mais de 1.500 registram sua presença.

Eles destroem plantações, principalmente as de milho, soja e feijão, transmitem doenças aos animais domésticos, destroem nascentes e atacam ferozmente seres humanos. Na Mantiqueira pequemos agricultores estão desistindo das suas lavouras por não vencerem a devastação causada pelos animais. Esta dispersão descontrolada também ameaça a suinocultura, pois sendo o porco doméstico da mesma espécie, uma eventual doença nos javalis selvagens poderá ser transmitida aos suínos criados em granjas. O cruzamento do javali com o porco doméstico criou um híbrido – o javaporco – que pode chegar facilmente aos 200 quilos, no Rio Grande do Sul já foram abatidos animais com 300 quilos.

Caça liberada

O manejo, por meio da caça, é permitido desde 2013. O Ibama autorizou o abate com base no risco de transmissão de doenças, prejuízos nas plantações e invasão em parques e reservas naturais. Há uma série de normas e controles sobre este tipo de caça porque o governo teme que com a liberação muito fácil podem-se ser abatidos os nossos populares porcos do mato, mais conhecidos como catetos ou caititus. No Brasil existem quase 50 mil autorizações para este tipo de casa, por enquanto estamos perdendo o jogo para os javalis.

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