
Morreu na última sexta-feira (27) a senhora Porfiria de Carvalho Freitas, 84 anos, após um AVC. Ela deixa três filhas, cinco netos e seis bisnetos. O velório foi sábado (28) na Capela 1 do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, com benção realizada pelo Padre André Biernaski, amigo da família que gentilmente compareceu e saudou a falecida e seus familiares com palavras de conforto do Evangelho, além de sua inseparável gaita, com que tocou a música “Treze de Maio”, em louvor à Virgem Maria. O enterro foi no cemitério Jardim da Paz, na Barreirinha.
A seguir, o relato escrito pelo neto de Porfiria, o jornalista André de Freitas Nunes, amigo e colaborador desta Coluna.
MINEIRA COM O PÉ NA ESTRADA
Escrevi sobre a vó Porfiria pela ocasião dos 80 anos dela, em maio de 2017, em registro publicado pelo professor Aroldo – a quem a vó nutria amizade e admiração, adorando prestigiar os eventos de lançamento do “Vozes do Paraná” (esteve em todos, desde 2015), bem como as reuniões mensais do Instituto Ciência e Fé. https://muraldoparana.com.br/fatofoto-reuniao-familiar-celebra-80-anos-de-porfiria-de-carvalho/
Mineira de Pouso Alto, Porfiria de Carvalho era a caçula de nove irmãos, descendente de portugueses e tropeiros da região da Estrada Real, no sul de Minas Gerais. A família Carvalho tem ainda origens indígenas distantes e é marcada por algumas gerações de casamentos entre primos. O nome era homenagem à avó materna, Porfiria de Oliveira Freitas, descendente de portugueses, matriarca conhecida pela caridade com os menos favorecidos, falecida em 1959.

Nascida em 1937, casou-se aos 16 anos com Afonso Américo de Freitas (primo de primeiro grau) com quem teve três filhas: Iracema, Djanira e Francisca. Entre mudanças de cidades, passando pelo interior paulista, a família Freitas se radicou em São Paulo na década de 1970, onde residiu por pouco mais de 20 anos até o casamento das filhas.

BOM HUMOR
Conhecida pelo bom humor, vontade de estar sempre reunida com a família, força e disposição com que levou a vida, a octogenária teve várias ocupações, entre elas um salão de beleza doméstico, atendendo a freguesia de Santana, na zona norte paulistana. Também trabalhou na limpeza de um hotel em Aparecida (SP), e sempre encarou de frente as dificuldades.
Quando o marido perdia um emprego, ela não sossegava até conseguir outro para ele. Mesmo que para isso precisasse colocar as poucas coisas que a família possuía na estrada, deixando o pacato interior de SP rumo à megalópole em plenos anos 1970. A mudança foi grande para a família, mas os frutos vieram décadas de muito trabalho.

VIAJANTE
Porfiria mudou-se para Curitiba em 2009, depois de ter morado na capital em duas ocasiões, entre 2006 e 2008. Ficou viúva em 2013 e, após o casamento dos netos Felipe e André Nunes, vivia com a filha Iracema Freitas.
Sempre que podia, pelas condições financeiras e de saúde, botava a malinha na estrada, de carro ou de ônibus, e ia visitar as filhas Francisca, em SP, e Jane, em Canoas (RS), além dos irmãos e sobrinhos em Pouso Alto (MG). Tinha “rodinha nos pés”, como a gente brincava, e adorava uma festa, reunida com as pessoas queridas, contando histórias e piadas.

GRANDE BATALHA
Sua maior batalha foi vencida em 2012, quando sofreu um AVC que a deixou na UTI do Hospital de Clínicas por 52 dias. Recuperada após fisioterapia intensiva, Porfiria se recuperou, recobrou os movimentos e a fala, ainda que com dificuldade. A alegria de viver permaneceu.
LEGADO DE ALEGRIA
Foram mais nove anos de muitas alegrias, viagens, festas com as filhas, netos, bisnetos e muitos sobrinhos (mais de 100), espalhados por Minas Gerais e São Paulo. No aniversário de 80 anos, reuniu familiares de quatro estados em um almoço de comemoração – inesquecível para todos que compareceram. Porfiria de Carvalho deixa um legado de fé, dedicação, trabalho, amor e alegria para todos que com ela conviveram.
