
Quem não votou na Câmara, ou se manteve cauteloso com relação à troca de terrenos para a APAD, agiu certo. Não quer meter a mão numa cumbuca complicada, em que se transformou a instituição criada há 40 anos com suporte do governador de então, José Richa, impulsionado pela necessidade de apoiar um grupo de que seu filho, Adriano, fazia parte. Era um diabético juvenil.
Hoje a situação da APAD é encarada na Câmara (vide noticiário acima) como se nada de estranho tenha ocorrido com a instituição. Há quase que unânimes elogios à APAD. Ela os mereceu por 40 anos.
As dúvidas são sobre seu presente e seu futuro: depois de ter ficado praticamente todo o ano de 2020 fechada, com a presidente com COVID; o que aconteceu nesse meio tempo é uma novela. Valeria a Câmara levantar a memória dos fatos, para não acabar, eventualmente, convalidando injustiças e ilegalidades.
PERGUNTAS A RESPONDER
Será que os vereadores irão a fundo das denúncias, como as de grupos de evangélicos que por anos se beneficiaram do trabalho caridoso da APAD? Assim, é bom indagar: a presidente demitiu-se ou foi forçada a demitir-se em abril deste ano? E por que, com a demissão de Maria Isabel, estranhamente passou a APAD a terceirizar seus serviços de farmácia e loja de produtos voltados aos diabéticos, ação comandada pela nova diretoria, presidida por Osvaldo Avelino da Silva? Qual é o nome da terceirizada, uma empresa comercial, sem compromisso social? Os novos diretores reabriram nos últimos dois meses a sede da Avenida Iguaçu. As perguntas que ainda cabem à situação são muitas.
Por exemplo, se procedem queixas segundo as quais pessoas que compõem a atual diretoria, teriam invadido a sede da Av.Iguaçu, 4263, apossado-se de computadores, deletado seu arquivos e “sumido” com a documentação com parte do histórico da instituição?. Tudo no condicional.
TOQUE DE MISTÉRIO
Enfim, às vésperas de ganhar novos terrenos – em comodato da Prefeitura – a APAD tem, no momento, um toque de mistério. Para grupos evangélicos que atuavam dentro da associação, “a APAD foi tomada por quadros da loja maçônica Serenidade e Trabalho, de Curitiba.” A loja fica na Avenida das Torres, e, em tom de blague, um pastor disse ao site: “A loja maçônica não mais faz reuniões. Não consegue quórum, pois todos seus membros estão dentro da APAD, lá vivendo tempo integral”.
Quando a última presidente renunciou (ou foi renunciada), em abril deste ano, assumiu a vice-presidente, Ceres Emilia Gubert. Ela não esquentou na cadeira presidencial, tendo de, em seguida, entregar o cargo a Osvaldo Avelino da Silva, um irmão da Loja Sereníssima, que venceu uma apressada eleição…O folhetim que monta um grande “puzzle” da APAD é enorme, tem muitas vertentes e muitos olhos “gordos”.
Haveria hoje um pessoal dentro da APAD sob suspeita de estarem “apenas fazendo negócio com uma associação de serviço caritativo”, segundo observa Noêmia, nome fictício, antiga cliente da associação. Para encerrar esse aperitivo da tragédia da APAD, há ainda a história que um advogado de Brasília, de nome Jorge, queria doar R$ 1 milhão à associação.
A diretoria anterior, assustada com as movimentações de “golpe” que pressentia, dispensou a grana: “Havia muita gente atrás dessa doação,nos asssustamos”, diz uma fonte ligada à antiga vive, a Ceres.
