
Bituruna ganha em cima da morte de Schiavinato, que iria entregar o dinheiro dessas emendas para diversas cidades do Paraná.
O ano de 2022 pode até trazer surpresas para o mundo político muito além do esperado. A possibilidade de novas regras eleitorais, com um “distritão” se impondo, há que serem consideradas. Assim como alianças com a esquerda ou a direita, pólos tão conflagrados, vão contar para o bem e para o mal. Enquanto, acredito, que as posições centristas deverão ser beneficiadas.
Tenho certeza que a parcela de eleitores bem esclarecidos vai julgar de forma implacável candidatos que, na vida pública, estão manchando seus atuais mandatos. E digo isso inspirado no que leio no Estadão de São Paulo, edição deste dia 27, que desnuda o mandato do deputado federal Valdir Rossoni (PSDB/PR), que utilizou-se da chamada “emenda cheque em branco” e destinou R$ 8,5 milhões para o município de Bituruna, do qual seu filho, Rodrigo, é prefeito…
Criado pelo atual Governo, o mecanismo, como lembra o jornal, permite aos parlamentares enviar dinheiro público de suas emendas individuais sem um objetivo definido e livre de fiscalização federal. Assim, como revelou o Estadão, o que era para ser exceção virou regra. Já são 303 os parlamentares que escolheram a modalidade, em lugar do tradicional, que exige indicar, com base em critérios técnicos como os recursos orçamentários devem se aplicados. “Neste caso, diz o jornal, o deputado identifica os problemas da cidade e direciona verbas para atendê-la”.

SCHIAVINATO
O jornal paulista diz ter identificado, até agora, pelos menos seis casos em que parlamentares destinaram R$ 27,6 milhões para cidades chefiadas por filhos, pais, irmãos e sobrinhos. O deputado Schiavinato, que morreu no início de abril de Covid-19, tinha planejado tudo de forma republicana, bem o contrário do que Rossoni. Ele alocaria recursos das suas emendas para diversos municípios do Paraná. “Ele, no entanto, morreu em 13 de abril e não teve seu interesse atendido pelo sucessor, Rossoni, que assumiu o mandato em 27 de abril e colocou todo o valor na prefeitura comandada pelo filjho”. Com a maior sem cerimônia, o deputado Rossoni explicou assim a destinação – muito estranha – dos recursos: – Fiz a distribuição dentro do que achava necessário…
Dizem fontes bem informadas, como o jornalista Tupan, que Rossoni (praticamente sem expressão na Câmara dos Deputados) quer mesmo é voltar à ALEP. Mas pode contar, garanto, com o juízo seguro de suas ações “legislativas” por parte do eleitorado exigente. Esse existe e pode decidir eleições.

