Além de mobilizar a diplomacia brasileira mundo afora para conseguir matéria-prima para a produção de hidroxicloroquina, Ernesto Araújo pode ter atuado para favorecer a farmacêutica EMS, do empresário Carlos Sanchez. É o que suspeitam integrantes da CPI da Covid.
Em 3 de abril de 2020, em meio às restrições de exportações de insumos médicos pela Índia, o então chanceler – agora oficialmente investigado pela comissão – enviou carta para seu homólogo indiano, Subrahmanyam Jaishankar, solicitando a liberação de uma carga adquirida pela empresa contendo meia tonelada de insumos para produzir cloroquina. O documento era secreto e teve seu sigilo levantado por decisão da CPI, que investiga a EMS.
Não há, no pacote de documentos entregues pelo Itamaraty e que tiveram o sigilo quebrado pela CPI, uma carta semelhante, escrita pessoalmente por Ernesto, em favor de outras empresas fabricantes de cloroquina — daí a desconfiança dos senadores de que ele estava agindo especificamente para favorecer interesses econômicos da EMS.
2 – As pistas deixadas por Witzel
O depoimento do governador cassado do Rio Wilson Witzel abriu um novo flanco de investigação na CPI da Covid: a gestão de hospitais federais localizados no estado. A apuração deve se dividir em pelo menos três eixos. Passará pela deficiência de leitos destinados ao atendimento de pacientes infectados pelo coronavírus, por eventuais irregularidades em contratos e pela suposta ação de milícias nas unidades de saúde.
Na última semana, o senador Humberto Costa (foto), do PT de Pernambuco, protocolou requerimentos de informações endereçados aos seis hospitais federais fluminenses. Os pedidos devem ser aprovados pela CPI nos próximos dias. Nos documentos, o petista questiona quantos leitos de internação e de UTI voltados a pacientes diagnosticados com Covid-19 funcionaram de 1º de janeiro de 2020 até hoje e quantos mais poderiam ter sido habilitados.
Além disso, indaga por que os hospitais não abriram novos espaços para o tratamento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e se o Ministério da Saúde agiu para ampliar as habilitações.

3 – Mais uma derrota de Daniel Silveira
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido do deputado Daniel Silveira, do PSL, e se manteve à frente da investigação sobre suposta violação de sua tornozeleira eletrônica. A defesa do parlamentar havia solicitado que o ministro deixasse a relatoria do inquérito.
Ao pedir a abertura de investigação, a Procuradoria-Geral da República apontou uma série de violações da tornozeleira eletrônica de Silveira. Segundo a PGR, isso justificaria a imposição de um regime de prisão mais duro do que o domiciliar, ao qual o deputado está submetido hoje.
A PGR sugeriu ainda a aplicação de uma multa de 100 mil reais, que pode ser aumentada caso o bolsonarista venha a cometer novas irregularidades. Sem descartar a possibilidade de decretar a prisão preventiva mais adiante, Alexandre de Moraes determinou o pagamento da multa.
Foi após essa punição que o deputado recorreu para tentar tirar o inquérito das mãos do ministro, mas o pedido foi negado.
4 – A transição no Irã
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, está com 82 anos. Operado de câncer de próstata em 2014, ele é constantemente assunto de reportagens sobre seu precário estado de saúde, embora quase nada seja divulgado ao público.
Para evitar que se abra um vácuo político, a teocracia colocou em marcha os preparativos para assegurar a transição de poder no país, depois da vitória de do clérigo Ebrahim Raisi nas eleições de sexta-feira, 18.
