
Cresce a procura de telas e esculturas de artistas paranaenses dos anos 70 e 80.
Em decorrência da crise generalizada trazida pela pandemia, há uns poucos que estão lucrando em Curitiba com compra e venda de obras de arte. Um deles, pedindo que omita seu nome, contava-me neste dia 21 que na semana foram vendidos dois bakuns – óleo sobre tela – “a preço de banana”.

Isso decorre, acredito, em boa parte da ação de marchand curitibano que montou em São Paulo uma galeria que tem exposto a obra de Bakun. Ele expôs Bakun em grandes reportagens nacionais. Como aconteceu com matéria detalhada sobre a vida e obra do artista,no Estadão.
Assim, Bakun passou a ser conhecido e valorizado fora de nossas fronteiras. Os valores dos bakuns comprados “na bacia das almas (preço de banana), superaram toda lógica do mercado. Essa realidade nova deve proporcionar análises detalhadas de colecionadores que não são nada amadores.É gente exigente, como Joel Malucelli, Ario Derginte, Eduardo Rocha Virmond.

ALÉM DE BAKUN
Mas não é apenas Miguel Bakun que passa a ser um dos procurados por quem entende do mercado de artes. O período de crise sanitária e falta de caixa tem levado a muitos curitibanos, posso testemunhar, a se desfazerem de parte de suas pinacotecas. Muitos deles, “morrem de medo de se expor”, observa uma galerista que os tem ajudado, em certas situações, dando-lhes aconselhamento técnico.
E um advogado, G, de alto coturno, milionário e com alma de político, confessou à coluna dias atrás: “fiquei surpreso com o padrão dos que me oferecem seus quadros e esculturas. É gente até agora conhecida como da classe AA…” – A hora é de comprar Bakun.

Mas também de muitos outros nomes que fazem parte do chamado universo paranista de artes plásticas, me lembra um professor aposentado da Escola de Belas Artes do Paraná que, diz, conheceu muitos desses artistas no nascedouro.
Quem se lembra de Tereza Isabel de Baker, revelada no anos 70 em Curitiba, com uma pintura que divide o surreal e o pontilhismo? Os quadros de Bia Wouk, da primeira fase, quando ela fazia parceria com Zimmermann e expunha, anos 1970, na galeria do CCBEU, também estão bem cotados, assim como nunca deixaram de ter boa aceitação as telas de Osmar Chromiec, Fernando Calderari, Theodoro De Bona, Juarez Machado, João Osório…

“JÓIAS ESCONDIDAS”
AAC, que conhece artes plásticas como poucos, e domina a história das artes no Paraná, lembra – a pedido deste site – que “há muitas jóias escondidas, são importantes e um dia terão o lugar que merecem no mercado de artes”.
E esse cavalheiro setentão pergunta, em tom inquisidor: “Quem, nas novas gerações de consumidores de arte em Curitiba, conhece a obra da chinesa Helena Wong? E as telas de Wilson de Andrade e Silva, Antônio Arney, Fernando Velloso, Violeta Franco…? Desse nomes citados, Fernando Velloso, tenho certeza, continua, aos 90 anos, mantendo um portfólio de compradores. Seu atelier particular é o ponto de encontro, por vezes, de artistas e investidores.

De qualquer forma, com as galerias fechadas, dinheiro curto e muitos caixas altas dispostos a investir, não custa lembra: esta é a melhor hora para comprar artes plásticas paranaenses.
NB: a propósito, a UNESPAR, núcleo de Artes de Curitiba, na ex-Escola de Belas Artes, fez encontro online na semana para discutir Adalice Araujo, o mais sólido nome da crítica de artes gestado no Paraná.
Ela nasceu como crítica, depois de formada em Roma em História da Arte, por insistência de Ennio Marques Ferreira e este jornalista. Isso não é novidade, está registrado fartamente em depoimentos de Adalice.
