terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Otto e outros poetas do porão WNK

Otto Leopoldo Winck
Otto Leopoldo Winck

Otto Leopoldo Winck nunca fez marketing pessoal. Mas é um bom romancista, já ganhou prêmio nacional da Braskem, com seu romance “Jaboc”, e obteve bolsas de trabalho de instituições como a Biblioteca Nacional.

Quando adolescente, fugia das aulas no Medianeira e se enfurnava na Biblioteca Pública para consumir literatura, ampla e irrestritamente.

O primeiro vestibular ele acabou prestando para Teologia na PUCPR, que acabou sendo sua graduação. Depois, fez Mestrado e Doutorado em Letras.

A vida de Otto transcorre com discrição, é pacata, dedicada à família, mulher e dois filhos. Anda de ônibus para baixo e para cima, ministrando aulas de Letras na PUC e em outra faculdade, de dia e de noite.

ADMIRADO POR ALUNOS

É muito admirado pelos alunos que sabem sempre poderão contar com a palavra amiga desse doutor (pela UFPR) em Literatura, ex-dirigente, 20 anos atrás, do Movimento de Renovação Carismática Católica (RCC), de que se afastou totalmente. Mas continua cristão, “é claro, e um tanto light”, confessa-me esse escritor nascido no Rio, de origem gaúcha (os pais) e totalmente formado em Curitiba.

Otto é um ativista político pelas redes sociais, me afiançam amigos comuns. Nelas expõe sua admiração pelo trabalho de Dilma Rousseff e encarna bandeiras do PT, do qual – ao que eu saiba – não é membro.

VOCAÇÃO MAIOR

Sempre acreditei que a maior vocação de Otto Leopoldo Winck é mesmo a poesia, que ele cultiva, e tem produção que, dizem amigos comuns, “é muito fértil e de qualidade”.

Pois agora Otto, usando camisas que podem ser associadas a jovens contestadores – como as com retratos de Janis Joplin e Hendrix – ele pode ser encontrado todas as noites de terças feira no bar WNK (Rua Trajano Reis, 326), declamando poesias suas e de terceiros. Seus companheiros de vigílias poéticas são moças e rapazes de uma novíssima geração de vates, alguns deles alunos de Otto.

Os encontros são no porão da casa noturna.

AS PRIORIDADES

O bar WNK não é voltado à poesia. Suas prioridades são bebidas variadas e espaços para jovens enamorados. No entanto, a poesia vai crescendo como atrativo do endereço comandado por Ieda Godoy, empreendedora que já é bem-sucedida com outros bares, voltado ao jazz, o “Dizzy”.

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