
Foram dois anos de constantes invasões promovidas por “hackers”, muitos deles pagos pelo tesouro público. Imagine-se tivesse sido noticiada a alegada “fila secreta para a vacina”?
Não faço parte do coro dos “vitimistas”, aqueles que se classificam, sempre, como vítimas de alguém ou alguma coisa, para justificar perdas. Por isso mesmo, encaro como parte desse ofício de jornalismo, perseguições e jogos baixos que atingem profissionais que não se dobram a poderosos do momento. Ou mesmo poderosos permanentes.
Esta posição realista, com a espinha ereta, foi a que mantive nos últimos dois anos, quando este Coluna/Blog começou a sofrer ataques de hackers comandados por certa “milícia digital” entronizada em área do poder público de Curitiba. Fui fazendo o que tinha de ser feito: cerquei-me do apoio de uma eficiente assessoria técnica, e fui driblando os sucessivos “caindo” que atingiram meu trabalho hoje indissociável do mundo digital.
No ano passado, com a aproximação do período eleitoral em Curitiba, os “hackers” da milícia digital redobravam suas “bondades” (muitos de seus membros são jovens pagos pelo tesouro público). A cada nova notícia, por exemplo, sobre desmandos e arbitrariedades do poder “entronizado” em Curitiba, a vingança dos invasores foi-se ampliando. Então, se e quando relatavam relações promíscuas do poder municipal com empresas poderosas do mundo digital – tal como a ICS -, as coisas quase se tornavam insuportáveis para nós. E quando se citavam proteções a preferidos da corte – como aquele jovem assessor dileto que passou a ganhar salário de secretário Municipal – intensificavam-se os ataques.
Se o Blog contestava a política municipal de combate ao Covid, então, o “bicho pegava” – vinha chumbo grosso em forma de milícias digitais. Mas na segunda, dia 18 deste janeiro, esta Coluna/Blog fez o caminho libertador: mudou-se para um provedor localizado nos Estados Unidos, que oferece de garantias à prova de hackers, coisa que o provedor brasileiro nunca deu. Ficamos dois dias fora do ar, em função de ajustes técnicos. Imagine se tivéssemos, antes do dia 18, relatado que a Aranha Marrom, por ter 78 anos, estaria sendo colocado numa “fila secreta” de idosos” que receberão a vacina? Essa fila poderá ter também o alcaide, 65 anos. Tudo dentro da lei, mas de conotação moral discutível.

Resumo: continuamos na luta. Sem ostentar ares de vítima. Mas de certa forma com ares vitoriosos, lembrando o adágio antigo, “Não há mal que sempre dure”. Certo também que de que não há bem que nunca acabe.
(AMGH)
NB: meu obrigado a colegas de profissão que se mostraram solidários com esta Coluna/Blog, especialmente com sua saída do ar, no dia 18. Dentre eles, menção especial ao Tupan, um atento observador da realidade paranaense, hoje leitura obrigatória para formar opinião; José Beto Maciel, o articulado jornalista que supervisiona a assessoria de comunicação de alguns paranaenses essenciais na vida pública; Pedro Ribeiro, o diretor de Redação do Paraná Portal, uma voz com enorme ressonância no Paraná, um referencial do grupo de comunicação de Joel Malucelli.
