sábado, 1 agosto, 2026
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DOS LEITORES: “TEXTO PARA FIGURAR EM ANTOLOGIA DE NOTÁVEIS”    

Norberto Castilho

Caro Aroldo,

O seu texto sobre o passamento físico de nosso querido amigo comum,  Norberto Castilho,   é digno de figurar numa antologia sobre Figuras Notáveis do Paraná.

Você esculpiu com o cinzel da memória e com afeição um ser humano de extraordinária beleza social, com atitudes de aguda  inteligência e de refinada educação. Norberto Castilho foi – e continua sendo, no álbum de nossa lembrança -, um dos raros tipos inesquecíveis  que tivemos a oportunidade de conhecer e admirar.

A biografia que você modelou da alma e do corpo desse príncipe da elegância  merece um destaque-permita-me sugerir – em algum novo exemplar de seu prestigiado Vozes do Paraná.

No cemitério Pere Lachaise, em um de seus túmulo, estão os restos mortais do imortal chansonnier e ator Ives Montand e sua mulher, a atriz, Simone Signoret. Em numa pequena lápide está escrito:

Le temps passe; les souvenirs restent

(O tempo passa ;as lembranças ficam)

Abraço do René RENÉ DOTTI, Curitiba

René Dotti

PODEMOS TRANSCREVER ?  

Caro Aroldo,

Será que podemos transcrever no site do Sindicato das Agências de Propaganda do Paraná  seu belo e elegante texto sobre Norberto Castilho ?

JOSÉ DIONÍSIO RODRIGUES, Sinapro, Curitiba

José Dionísio Rodrigues

RESPOSTA : Que honra ! Claro, publique-o, amplie a justiça que quis fazer ao Castilho.  (AMGH)

Acompanhe, a seguir,  na  página do SINAPRO, o texto  que  a coluna reapresenta, originalmente  postado dia 11-1:

MEMÓRIA: COM CASTILHO, FOI-SE UMA ÉPOCA

No jantar do Ile de France, com John dos Passos, uma noite excepcional. Sábado, 9, Walter Schmidt, o sempre atento redator do site Contraponto, a boa cobertura do que acontece no Paraná, me telefona falando da morte de Norberto Castilho. Depois, encontro no site de Fábio Campana a mesma  notícia, com o olhar apurado do jornalista que também conheceu Castilho.

No meio do noticiário, parei para examinar uma verdade: com o desaparecimento de Norberto Castilho foi-se uma das mais significativas partes de toda uma geração de curitibanos que era acolhida regiamente pelo colunismo social dos anos  1960/80, especialmente pelo insubstituível Dino Almeida. Eram homens e mulheres que acabavam sendo as locomotivas do “high society”, em que ainda não prevaleciam nomes de emergentes, mas sobretudo curitibanos com raízes fortes na cidade. Mas Castilho era muito mais dos que um ícone daquele mundo da alta roda.

ALÉM DOS “GOSSIPS”

Por dever de justiça, tenho de dizer que o brilho de Castilho ia muito além dos gossips e dos fulgores da chamada alta sociedade, um universo que sempre encantou a classe média alimentada pelos jornalões daqueles dias, como Diário do Paraná, por primeiro, O estado do Paraná, a Gazeta do Povo. Não posso esquecer O Dia, que nos 1960 vivia seus derradeiros momentos, e onde reinava o Marcel Leite com seu Raio X da sociedade Curitibana.

Claro que ao colocar Norberto Castilho nessa relação de socialites de intenso fulgor na vida paranaense, tento não  omitir outros nomes que faziam companhia a ele e a sua mulher, Gilka Castilho, relação em que aparecem obrigatoriamente: Marcus e Many Hauer, os Weber, João Elísio Ferraz de Campos e Tina (primeira esposa), Abdo Abage e Ironita, Bento Munhoz da Rocha e dona Flora, Suzana Munhoz da Rocha e Beco Guimarães, Agostinho Hauer e  Maria José (Sade) Hauer, Rubens Arles Bettega e Tereza, José Eduardo de Andrade Vieira e Tânia (primeira esposa) , Geroldo e Marli Hauer…

JOHN DOS PASSOS

Tenho bem fresco na memória o meu primeiro e inesquecível encontro com Norberto Castilho, oito anos mais velho que eu, em 1962, quando ele foi à redação do Diário do Paraná e me convidou para o acompanhar, na noite seguinte, num jantar no Ile de France. Para um jovem  repórter, com dinheiro curtíssimo, alimentado a vales do prestimoso Milton Alcântara – tesoureiro do DP -,  foi uma choque.

O surpreendente viria com a explicação seguinte: “Aroldo, vamos jantar com o John dos Passos”.  O susto foi então   ainda maior. Ao mesmo tempo, envaideci-me, com a “vanitas vanitatum” da juventude, ao ter meu ego inflado: afinal, Castilho nem precisara entrar em detalhes sobre John dos Passos.

O jornalista, publicitário, advogado e gentleman Castilho me tinha por alfabetizado em literatura básica. Por vezes lera artigos meus no DP e, antes, na histórica revista Club, do Dino Almeida, da qual chegue a ser secretário e escrevi textos sobre literatura contemporânea. Eu havia escrito sobre Passos, o neto de portugueses que ganhara o Prêmio Nobel de Literatura.

UM FIDALGO, GENTLEMAN

Castilho era assim: um  fidalgo, com o foi ao fazer-me o convite, que aceitei receoso. Afinal, eu  apenas engatinhava no Inglês, o qual estudo há 55 anos. Ele vinha de uma família muito bem situada (o pai, Arno, era sólido investidor na Bolsa) e tinha o cheiro de dinheiro velho e do velho Paraná, aquele tipo de finesse que não se exibe em hipótese nenhuma, não humilha, jamais conta grandezas, impõe-se sem destruir.

Para essa gente “racé”  não existe fofoca, preceito que Norberto vivia plenamente.

O jantar rendeu algum texto, muito aquém da importância das declarações do autor de “Manhattan Transfer”. O escritor tinha vindo a Curitiba por uma “simples” razão: conhecer o editor (Oscar De Plácido e Silva) e a Editora Guaíra, que o editava em língua portuguesa.

De qualquer forma, Castilho, com sabedoria e discrição, procurando não me abespinhar, foi complementando, depois, a reportagem feita com  auxílio de um gravador enorme, colocado sobre a mesa do Ile. Fez raras correções. Deu lição de como mestre deve ensinar com prudência e plantando em terra que já considerava boa…

O EMPRESÁRIO

Ao longo dos anos fui acompanhando Castilho pelas estradas de uma carreira empresarial e de comunicador bem sucedido: lembro-me dele na Assessoria de Imprensa de Ney Braga, primeiro governo, depois como raro iniciador de publicitários na sua Equipe Propaganda, onde se revelariam, dentre outros, Norton Macedo (redator) e Sergio Mercer (diretor).

Redator formado nos tempos de uma escola de Direito referencial e fiel ao clássico (cultivo do latim, por exemplo), sei que não poucas vezes ele escreveu pronunciamentos de Ney Braga, tarefa que foi também de meu mestre Antonio Brunetti e de Samuel Guimarães da Costa.

Das marcas mais fortes deixadas pelo publicitário Castilho acho que foi a composição da correta imagem do Paraná a partir dos anos 1960, com o nascimento da televisão entre nós, e a intensa propaganda estatal promovida pelo Banestado. (AMGH)

 

OPINIÃO DE JONEL CHEDE 

Caro Aroldo,

Veja o que escreveu Jonel Chede sobre Castilho, fazendo referência ao seu artigo em torno da morte desse gentleman:
SÉRGIO TADEU MONTEIRO, Curitiba

Corretíssima a fiel narrativa de fatos da vida de nosso amigo Noberto Castilho  que é a ciência da historia pelo nosso notável jornalista Aroldo Mura que soma tantas outras virtudes como profissional de enaltece nosso verdadeiro paranismo. Sem dúvida um verdadeiro fidalgo sem brasões.

Conheci o Norberto no ano de 1960 apresentado pelo meu tio Nagibe Chede nós primórdios da fundação do Canal 12  que pioneiro foi seu fundador. Nasceu desde  essa data sólida amizade, por 60 anos, até ser chamado para o plano superior Divino, uma vez exercido notável missão no plano terrestre.

Gentil, atencioso, educado, muito conversamos por pleitos e conquistas  paranistas  quando foi membro do Movimento Pró Paraná e da Associação Comercial do Paraná  quando tive honra de ser eleito presidente das mesmas. Como pessoa, também, de grande saber de comunicação, ajudou  me muito no projeto de recuperação  realizado do bairro central de Curitiba denominado Centro Vivo ,no trecho da nossa Rua XV  desde o prédio histórico da  UFPR  até  o prédio da sede do Bamerindus. Projeto premiado por dois anos seguidos pela Escola Superior da Fundação Getulio Vargas de São Paulo   concorrendo com outros 118 projetos vindos de todo o Brasil.

A vitória não é fruto de uma única pessoa, é mérito de todos ,altruístas,lutam pela mesma causa .Nesse notável colegiado destaca se a figura do Norberto Castilho .O momento e muito difícil para  sua querida familia , que merece nosso respeito  enviando os nossos sentimentos  que também são solidários os seus milhares de amigos que conquistou que temos o privilégio de estarmos incluídos, todos com muita tristeza .

O tempo é o Senhor da razão. Rompe espaço e avança sem volta.Cria novos momentos  quando teremos a alegria da saudade de termos ,todos, vividos bons momentos com Norberto Castilho , sempre presente inesquecível por ter se tornado eterno.

(Jonel Chede postou o texto acima em suas redes sociais; ele é parte do Conselho Superior da  ACP)

Jonel Chede. Foto: radio Ipiranga.
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