Após a defesa do senador Flávio Bolsonaro apontar a existência de uma “organização criminosa” dentro da Receita Federal, servidores do órgão e associações que reúnem funcionários do Fisco estão divididos quanto ao que fazer . De um lado, há os que acham que deveria haver uma resposta contundente às acusações.
Outro grupo considera que um eventual contra-ataque poderia contribuir para politizar ainda mais o episódio, o que favoreceria o filho 01 do presidente. Em outro caso ocorrido há duas semanas, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal preferiu reagir de maneira firme.
Em discurso na Câmara Municipal de Xanxerê (SC), um vereador acusou sem provas auditores que atuam na fronteira do Brasil com o Paraguai de estarem envolvidos em esquemas de corrupção. De acordo com ele, esses servidores da Receita poderiam até “abrir mão de seus salários”.
A equipe jurídica da associação enviou uma notificação extrajudicial ao vereador e obrigou o parlamentar a se retratar. Graças à pressão, o vereador teve que divulgar uma nota em que afirmou “não serem verdadeiras as afirmações” feitas, segundo ele, “em meio ao forte estresse de uma campanha eleitoral”. Apesar do recuo, a associação dos auditores ainda avalia entrar com uma ação criminal contra o vereador.
CANDIDATOS NÃO QUEREM SEGUNDA INSTÂNCIA
Na campanha pela presidência da Câmara, os dois principais concorrentes têm apresentado aos seus pares as pautas que pretendem priorizar, caso sejam eleitos. Aposta de Rodrigo Maia, Baleia Rossi comprometeu-se, por exemplo, a conduzir as reformas, como a tributária, e a liderar a discussão sobre a prorrogação do auxílio emergencial ou a ampliação do Bolsa Família. Já o candidato de Jair Bolsonaro, Arthur Lira, tem prometido recriar o imposto sindical, democratizar a gestão da casa e apoiar a PEC que institui o voto impresso no país, um notório desejo do presidente da República.
Nenhum dos candidatos, entretanto, quer saber de propostas que ajudem no combate à corrupção, como a PEC que prevê a possibilidade de prisão de réus após condenação em segunda instância. De olho no apoio de parlamentares enrolados com a Justiça, os dois candidatos, na verdade, têm se comprometido a deixar a discussão sobre a segunda instância de lado, na hora de cabalar votos.
Presidente nacional do MDB, Baleia tem forte ligação com o ex-presidente Michel Temer, investigado na Lava Jato, e, graças a esse discurso anti-segunda instância, também atraiu para seu bloco o PT, de Lula, e o PSDB, de Aécio Neves. Já Lira, principal expoente do Centrão, também não quer saber de criar eventuais futuros problemas para seus potenciais eleitores na disputa pela presidência da Câmara. Além de não encampar a PEC da Segunda Instância, ele promete nos bastidores abraçar toda pauta que imponha travas à Lava Jato.
VACINAÇÃO: AS RAZÕES DA DIANTEIRA DE ISRAEL
Praticamente 20% da população de Israel já foi vacinada contra a Covid-19. O país é o líder da imunização no mundo, à frente dos Emirados Árabes, com 10%, e do Bahrein, com 4%. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estima que até março a maioria da população já estará vacinada. Vários fatores explicam a dianteira israelense. O país tem uma população de apenas 9,3 milhões de habitantes. Lá, a vacinação começou cedo, no dia 19 de dezembro, e o governo comprou rapidamente doses de diversos fabricantes, como a Pfizer, a Moderna e a AstraZeneca.

EMPREITEIRAS NA MIRA
O Ministério Público Federal vai analisar este ano ao menos quatro representações para fins penais contra a Construcap, a Mendes Júnior, a UTC e a Construbase, empreiteiras investigadas pela Lava Jato de Curitiba. As práticas criminosas narradas em relatórios produzidos por auditores do Fisco vão desde a simples omissão de informações até a apresentação de dados falsos nas declarações fiscais. Os documentos foram encaminhados pela Receita ao MPF no final de 2020. As empreiteiras recorriam a essas práticas, segundo os investigadores, para mascarar o dinheiro de caixa 2 usado para pagamento de propina a agentes públicos.
