sexta-feira, 31 julho, 2026
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ACORDO DO PARANÁ COM RÚSSIA POR VACINA SPUTNIK V “SEGUE SEM AVANÇOS”

 

Vacina Sputnik, dos russos. Foto: divulgação sputnik.

(Revista Época)

Quatro meses depois de o governo do Paraná anunciar um acordo com a Rússia para realização de testes clínicos e possível desenvolvimento da vacina Sputinik V no Brasil, a parceria ainda não saiu do papel e não há previsão de quando isso vai acontecer. A programação inicial previa submeter o pedido à Anvisa para iniciar os testes em outubro, mas até hoje isso não foi feito.

Enquanto o acordo com o Brasil está parado, a Rússia já começou a vacinar a sua população no dia 5 de dezembro e anunciou nesta segunda-feira (14) que a vacina Sputinik V alcançou 91,4% de eficácia nos resultados da fase 3 dos testes clínicos realizados com cerca de 22 mil voluntários.

O Fundo Russo de Investimento Direto (FRID) e o Centro Nacional Gamaleya informaram ainda que nenhum evento adverso inesperado foi identificado e que os ensaios clínicos foram realizados dentro dos padrões internacionais. Os resultados, no entanto, ainda não foram revisados nem publicados em revista científica.

TECNOLOGIA

Pelo acordo divulgado em agosto pelo governador Ratinho Júnior (PSD), seria criado um grupo de trabalho para a Rússia compartilhar com o governo do Estado e com o governo federal os resultados das fases 1 e 2 dos estudos da vacina para que assim fosse possível pedir à Anvisa autorização para a realização de testes clínicos no Brasil. O passo seguinte seria negociar a transferência da tecnologia para a produção e distribuição da vacina.

ESTÁ VALENDO

Na última sexta, durante coletiva de imprensa, o governador afirmou que o acordo com o governo russo ainda estava em vigor, porém, dependia de documentação para ativar o protocolo da fase 3 na Anvisa. Não deu mais detalhes sobre como está o andamento do processo. ÉPOCA procurou a assessoria de imprensa do governador, que respondeu que o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), vinculado ao governo do Estado, é o órgão responsável pelo cumprimento do acordo no país.

O Tecpar informou que o Fundo Russo de Investimento Direto fez “revisões no projeto”, mas não explicou quais foram essas revisões e se elas são a razão do acordo ainda não ter sido colocado em prática. Em nota, o Tecpar informou “aguarda a definição do parceiro russo sobre quais serão as ações de cooperação do instituto paranaense no projeto”, sem dar nenhum detalhe e sem confirmar se o que foi acordado em agosto ainda está valendo.

NA FASE 3

O Instituto informou também que, após a assinatura do acordo com os Russos, iniciou a condução do trabalho para a elaboração da documentação necessária relativa à realização da fase 3 dos estudos clínicos da Sputinik V no Brasil, mas que o Fundo Russo é quem faria a submissão do pedido à Anvisa. Ainda segundo o Tecpar, “em cumprimento ao acordo de confidencialidade assinado entre o Governo do Paraná e o Fundo de Investimento Direto da Rússia, o Tecpar não está autorizado para detalhar novas ações do projeto no Brasil.”

Procurado por ÉPOCA, o Fundo Russo de Investimento Direto não forneceu informações sobre a “revisão no projeto” mencionada pelos brasileiros e informou que enviou documentos à Anvisa no dia 29 de outubro para iniciar o processo de registo da vacina russa no Brasil. A assessoria de imprensa do Fundo informou ainda que “não poderia comentar muito sobre isso porque as conversas com a Anvisa ainda estavam em andamento”.

ANVISA  À ESPERA

Segundo ainda a rtevista Época, a Anvisa negou que tenha recebido o pedido dos russos tanto para registro da vacina quanto para início de testes clínicos da Sputinik V no Brasil.

Segundo a agência, atualmente há testes de quatro vacinas andamento: a da Astrazeneca e Universidade de Oxford, do Reino Unido, cujos documentos dos resultados da fase 3 já estão em análise pela agência; e as da Sinovac e Instituto Butantan, da China; a da Pfizer-Wyeth, dos EUA; e a da Janssen-Cilag, da Europa. As três últimas ainda não apresentaram documentos com resultados da fase 3 dos testes clínicos. E nenhuma das quatro pediu o registro de uso emergencial da vacina por enquanto.

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