
Na “Cidade Inteligente” do prefeito Greca de Macedo, um professor começa a carreira ganhando R$ 2 mil/mês, valor que, em certas situações, excepcionais, pode dobrar. Tudo porque Greca cancelou a possibilidade de crescimento na carreira.
Na leitura aprofundada que faço da grande imprensa nacional, nesta segunda-feira, 14, levo um susto, ao descobrir no Estadão que um professor da rede de ensino municipal da cidade de Paulínia, SP, entra na carreira ganhando R$ 8,5 mil, valor que pode significar – hoje -, R$ 12,5mil/mês. Um agradável susto, claro.
Tento entender a distância que se estabeleceu no tratamento ao magistério em cidades como Paulínia e Curitiba, por exemplo. Não tenho como fugir da comparação, pois o problema desvalorização do professor está em nossas portas. Apesar do marketing da Prefeitura de Curitiba.
Aqui, apesar de todo espalhafato que o alcaide Greca de Macedo faz da Curitiba, apelidada de “Cidade Inteligente” – título que ganhou de um grupo empresarial espanhol (seria ligado àquele que controla o ESTAR?), a medida é outra. Aqui um professor concursado começa na carreira, por 20 horas/aula/semana, com cerca de R$ 2 mil. Se atender a um regime especial, chamado RIT, poderá dobrar o número de horas (passando a 40 h) dobrando a remuneração. Isso dentro de uma situação excepcional. É exceção.

SEM ESPERANÇAS
Há poucas esperanças de melhora para quem está no magistério municipal de Curitiba, mesmo professores com pós-graduação, como os quatro ouvidos pela Coluna/Blog. Explica-se: o prefeito de Curitiba cancelou o plano de crescimento na carreira de magistério. Foi uma de suas primeiras medidas. Essa decisão prefeitural tem sido objeto das grandes lutas do magistério que, mesmo sem estímulos, continua a garantir à cidade um ótimo perfil de rendimento no IDEB, a avaliação do MEC. Isso apesar do desestímulo patrocinado pelo alcaide Greca de Macedo.
UM DOUTOR NO BÁSICO
Na reportagem do Estadão, leitura obrigatória a todos os interessados em melhorar a qualidade do ensino, há revelações concretas de quanto de resultado Paulínia vai conseguindo com a valorização do professor. Um dos mestres, por exemplo, chamado Rufino, com doutorado em educação Física, passou a dar aulas para o ensino básico em área periférica, logo depois de concursado. Animado com o novo desafio, foi desenvolvendo projeto com seus alunos, maioria oriunda da baixa renda. Fez avaliações antes de começar seu trabalho voltado à desenvolver a autoestima dos escolares. E de saída foi constatando a crise de identidade e de estímulos dos alunos:
– Um deles, respondeu ao questionário dizendo que se sentia mal por ser negro e pobre; uma aluna, proclamava sua “superioridade por ser branca, loira e magra…”, constata Rufino.
TODOS QUEREM PAULÍNIA
O resultado dessa mentalidade implantada em Paulínia nos últimos anos é a corrida que se dá quando a Prefeitura abre concurso para o magistério: os hotéis ficam tomados na cidade e nas cidades próximas, acolhendo milhares de candidatos de todos os cantos do país. Salas para provas têm de ser usadas até em cidade vizinhas.
Há segredos para essa realidade? Primeiro de tudo, há recursos (Curitiba também apregoa ótima situação fiscal…). Paulínia recebe ressarcimento financeiro da Petrobrás. E, ao mesmo tempo, há vontade política em mudar o destino de seus filhos, um investimento a médio e longo prazos.
A cidade tem cerca de 120 mil habitantes. Não vive, é certo, estabilidade política, pois nos últimos dez anos, teve vários prefeitos. Mas todos eles têm tido o bom senso de valorizar os professores, condição básica para um futuro melhor para os moradores da cidade.
Esses dados é que expõem, na verdade, qual das duas é uma “cidade inteligente”: Curitiba ou Paulínia? Você decide.
