terça-feira, 28 julho, 2026
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OPINIÃO DOS OUTROS: FRATELLI TUTTI. TODOS IRMÃOS 

Papa Francisco

Por Antenor Demeterco Junior (*)   

O Papa em sua Encíclica  critica os efeitos divisivos do capitalismo e da tecnologia, mas esquece os benefícios  que ambos trouxeram para a Humanidade. Hoje o homem comum goza de benefícios  que reis do passado não  conheceram. A maior explosão  de riqueza ocorreu sob o capitalismo, e não como consequência  de doutrinas formuladas em gabinetes de filósofos.

A crítica  papal foi direcionada a efeitos, com reserva silenciosa com relação  às  causas. Denuncia Sua Santidade o nacionalismo e o populismo, visando os regimes de direita que estão  pipocando mundo a fora sobre anteriores de esquerda: Polônia,  Hungria, Estados Unidos , Brasil, etc.

A desejada “intimidade da amizade social” beira o utopismo, pois até  no esporte explode a violência  entre torcidas.

IRREALIDADE

A irrealidade das propostas atinge o máximo  quando se prevê,  em benefício de refugiados, a atribuição de cada país  a estrangeiros, disponibilizando-se os bens do território  a estes. Considera Francisco o direito de propriedade privada “um direito natural secundário “, tendo a expressão  secundário, linguisticamente, o sentido de pouco valor ou importância,  insignificância  (e também de segunda ordem).

Leão  XIII em sua celebérrima “Rerum Novarum” considera, contrariamente, a inviolabilidade da propriedade privada o “primeiro” fundamento a estabelecer, para todos aqueles que querem sinceramente o bem do povo (item 23 ).

LÓGICA DE MERCADO     

A lógica  de mercado baseada no lucro, mesmo “deformada”, ainda não  encontrou substituição,  e ao contrário,  foi adotada pelo principal país  que se diz comunista da atualidade. Ninguém  em sã  consciência  é  favorável a guerras, mas suprimir guerras justas implica em tolerar o crime universalmente, abstendo-se de qualquer ação  na proteção  de inocentes.

O Papa pode ter as melhores intenções,  e razão  diante de certos excessos, mas inflou suas idéias  com conteúdo  ideológico hostil ao “status quo”, ao invés  de tentar aperfeiçoá-lo. Será  levado a sério?  A sua manifestação  não  é  sobre a fé  e a moralidade, e consequentemente não  é  obrigatória  para o rebanho, felizmente.

(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado do TJPR, advogado, estudioso da hitória do Século 20.

 

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