
Por Antenor Demeterco Junior (*)
O Papa em sua Encíclica critica os efeitos divisivos do capitalismo e da tecnologia, mas esquece os benefícios que ambos trouxeram para a Humanidade. Hoje o homem comum goza de benefícios que reis do passado não conheceram. A maior explosão de riqueza ocorreu sob o capitalismo, e não como consequência de doutrinas formuladas em gabinetes de filósofos.
A crítica papal foi direcionada a efeitos, com reserva silenciosa com relação às causas. Denuncia Sua Santidade o nacionalismo e o populismo, visando os regimes de direita que estão pipocando mundo a fora sobre anteriores de esquerda: Polônia, Hungria, Estados Unidos , Brasil, etc.
A desejada “intimidade da amizade social” beira o utopismo, pois até no esporte explode a violência entre torcidas.
IRREALIDADE
A irrealidade das propostas atinge o máximo quando se prevê, em benefício de refugiados, a atribuição de cada país a estrangeiros, disponibilizando-se os bens do território a estes. Considera Francisco o direito de propriedade privada “um direito natural secundário “, tendo a expressão secundário, linguisticamente, o sentido de pouco valor ou importância, insignificância (e também de segunda ordem).
Leão XIII em sua celebérrima “Rerum Novarum” considera, contrariamente, a inviolabilidade da propriedade privada o “primeiro” fundamento a estabelecer, para todos aqueles que querem sinceramente o bem do povo (item 23 ).
LÓGICA DE MERCADO
A lógica de mercado baseada no lucro, mesmo “deformada”, ainda não encontrou substituição, e ao contrário, foi adotada pelo principal país que se diz comunista da atualidade. Ninguém em sã consciência é favorável a guerras, mas suprimir guerras justas implica em tolerar o crime universalmente, abstendo-se de qualquer ação na proteção de inocentes.
O Papa pode ter as melhores intenções, e razão diante de certos excessos, mas inflou suas idéias com conteúdo ideológico hostil ao “status quo”, ao invés de tentar aperfeiçoá-lo. Será levado a sério? A sua manifestação não é sobre a fé e a moralidade, e consequentemente não é obrigatória para o rebanho, felizmente.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado do TJPR, advogado, estudioso da hitória do Século 20.
